Morre o professor Cleverson Leite Bastos. O curso e o programa de pós-graduação em filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) emitiram uma nota.

Vinícius Sgarbe
“O professor Cleverson trabalhou na nossa instituição durante aproximadamente 30 anos e sua morte deixa consternada toda a comunidade acadêmica. Além de professor, foi aluno do curso de Filosofia, tendo se formado em 1980. Tinha mestrado em Lógica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1990) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997), com estágio de pós-doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (2006). Seu entusiasmo e dinamismo conquistaram alunos e colegas e sua morte, aos 64 anos, entristece a todos/as”.
Cleverson foi meu professor de semiótica, uma alma inquieta. Tinha aversão às superficialidades, e ao que nomeava com clareza “burrice”. Tive medo da rejeição dele. Ele me curou no que agora é uma memória que acaba comigo.
O Centro Acadêmico de Comunicação Social tinha organizado um debate sobre a publicidade de bebidas alcoólicas na televisão, e fui convidado para mediar. Eu estava sozinho, sentado na primeira fila, esperando dar a hora. Nervoso, comprometido com a performance, lembrando como os apresentadores faziam na CBN.
Cleverson sentou ao meu lado, e me abraçou. E ficou abraçado comigo, como uma pai orgulhoso. Lembro que o braço dele atrás de mim me incomodou, porque não eu não era o cara do contato físico. Mas ele insistiu até que eu entendesse a mensagem tal qual um inteligente e não um burro.
Até hoje tive vontade de escrever algo com ele, talvez sobre a influência da amplitude da onda do mar no pensamento do pescador, ou algo assim.
Mestre, obrigado. Uma hora a gente se encontra.
