quarta-feira, 22 julho, 2026
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UM JORNALISTA ACIMA DE TODOS

Texto do jornalista e professor de Jornalismo Valdir Cruz, postado em 22-4-20 em sua página no Face Book

Jornalista Valdir Cruz

(Reproduzo o texto de Valdir Cruz por irrecusável dever de agradecimento, assim como também o “adendo” de Fábio Campana, este, sim, uma legenda do jornalismo de análise política do Paraná.

Valdir: você se excedeu, acabou me fazendo notícia, e me obrigando a expor o cidadão muito permeável a elogios bem trabalhados, como os seus.

“Vanitas vanitatum”, pois – tenho que assumir a advertência do Eclesiastes…

Bons textos, Valdir, nos concedem a absolvição de nossos pecados capitais, e são a recompensa maior que jornalistas podem expor e absorver, ao lado da correta apuração dos fatos que relata).

 

Em 1996, ele me atacou ferozmente na coluna que mantinha no jornal “Indústria & Comércio”. Eu, que já não gostava dele, passei a odiá-lo.

O ataque que me fez foi porque, durante a formatura de uma turma de jornalismo da PUC, o orador criticou um professor. Em seguida, eu, como paraninfo, fiz meu discurso em tom crítico à realidade da profissão.

Ele entendeu que eu deveria ter defendido o professor, seu amigo, citado pelo formando. Daí a razão da crítica que me fez.

O tempo passou. E fui conhecendo este jornalista por meio de outros jornalistas. As informações que me chegavam, revelavam um ser humano excepcional. Uma pessoa conservadora nos costumes mas extremamente progressista ao lidar com os outros, não se interessando pela ideologia, pelo passado e nem pelos pecados de quem estava próximo.

Este jornalista, que costuma marcar reuniões de trabalho no próprio apartamento, é chamado de “professor” por uma grande quantidade de profissionais, alguns dos quais os mais experientes e renomados do mercado curitibano.

E ele é mesmo um professor. Sabe fazer jornal e jornalismo como ninguém.

Vagaroso ao falar, mas muito rápido nas ideias inovadoras que costuma apresentar. Dono de um coração imenso, é pai e avô de muita gente, mesmo sem ter nenhum filho (*).

Aroldo Murá (Gomes Haygert) católico fervoroso, desses que são amigos do bispo, durante a ditadura militar dava abrigo aos jornalistas perseguidos. Aqueles que não tinham chance em redação nenhuma, eram acolhidos por Murá no semanário católico “Voz do Paraná”, um jornal muito bem feito, opinativo e informativo ao mesmo tempo. Diante dos demais, que compunham a mídia impressa curitibana das décadas de 1970-80, parecia até subversivo.

Com o professor Aroldo, os jornalistas aprendiam – e muitos ainda aprendem – a escrever, a pensar e a dar valor aos seres humanos, sejam eles amigos ou adversários. Na ditadura, havia pessoas e assuntos que a mídia fazia questão de esquecer. Ele, não. Era o porta-voz dessa gente e a luz que iluminava os fatos que não existiam porque não eram noticiados.

Nos dias de hoje, o professor Aroldo é o “rei do free-lancer”.

Jornalistas de todas as ideologias, quando desempregados, costumam ter nele uma oportunidade para um trabalho temporário, um free-lancer, no jargão jornalístico. Mesmo que não tenha nada, o professor nunca diz “não”. Ele vai dar um jeito. Seja pedindo para algum amigo influente do ramo empresarial ou político. Às vezes, ele, do próprio bolso, paga vários jornalistas para ajudá-lo a produzir um novo livro em que apresenta os perfis de paranaenses notáveis. A bem da verdade, ele nem precisa desse auxílio para redigir os perfis biográficos, mas faz de conta que precisa por pura bondade.

Com o Aroldo é assim. Quem o conhece, ´logo vira amigo e admirador, quem não o conhece, como eu no princípio, tem nele um “reacionário”, arrogante, e por isso, um inimigo.

Num caso ou no outro, Aroldo deixou de ser jornalista. Ele é uma lenda.

E uma lenda não só do jornalismo. Mas de Curitiba… Um personagem dono de uma biografia mais rica do que a todos os biografados por ele e que preenchem mais de duas mil páginas das dez edições da coleção “Vozes do Paraná”.

 

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O FILHO E A NETA

 

NR: (*) Fábio Cezar Leite Haygert, professor pós graduado em Educação Física, encarregou-se na noite de 22-4 de esclarecer a Valdir que é filho do jornalista Aroldo Murá G.Haygert, “de que muito me orgulho”, assinalou.

Garantiu que o maior orgulho de meu pai “é Isabelle”, sua neta, 15 anos, “uma belíssima e estudiosa e nota 10, aluna do Colégio Bom Jesus-Lourdes, detentora de certificado internacional de proficiência em inglês, além de ser nadadora exímia”.

A correção sobre a filiação passou a constar, dali em diante, do texto de Valdir Cruz.

Fábio Cezar Leite Haygert, Carolinne e Isabelle Vitória D.Haygert.

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“FALTOU UM PARÁGRAFO NO TEXTO”

 

Valdir,

fico feliz em ver vc fazer uma análise tão perfeita dessa figura louvável que é o professor. Devo muito a ele, que me amparou nos momentos mais trágicos. Se vc permitir, diria apenas que faltou um parágrafo no teu texto para afirmar o preparo intelectual do professor.

Um equipado crítico de artes plásticas e de literatura. A Claudia, com certeza, conhece. Um abraço e parabéns pela sua capacidade, raríssima entre nós, de rever posições.

FABIO CAMPANA

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