Plataformas de petróleo fixa de concreto e auto-elevatória (Ubarana II, RN). Foto: André Luiz Nicolau.
(O GLOBO, 21-4-20, 17 horas)
Os preços do petróleo do tipo Brent, que alcançaram nesta terça-feira o menor patamar desde 2001 com cotações abaixo dos US$ 20, devem continuar em queda. Nas contas dos especialistas, o barril poderia recuar para o patamar de US$ 10, o que levaria a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a efetuar um novo corte na produção.
Na semana passada, o cartel e aliados anunciaram uma redução histórica de 10% na produção global, insuficiente para impedir a derrocada no preço do produto, principalmente do barril do tipo WTI, negociado nos Estados Unidos, que fechou na última segunda-feira com preço negativo de US$ 37,63 nos contratos para maio. Estimativas apontam que a queda na demanda chegaria a 30%.
A avaliação dos especialistas é que o Brent não deve repetir o cenário de preços negativos do WTI. A derrocada histórica no mercado americano foi resultado de um cenário inusitado: produtores pagaram para se desfazer do produto diante do excesso de estoques.
Com o vencimento dos contratos marcado para esta terça-feira, o que prevê a entrega física do produto, em um cenário de tanques de armazenamento lotados diante da queda da demanda, quem tinha petróleo para vender preferiu pagar para alguém levá-lo do que não ter onde guardar.