quarta-feira, 13 maio, 2026
HomeMemorialO TRISTE MOMENTO DA “LITURGIA DO CARGO”

O TRISTE MOMENTO DA “LITURGIA DO CARGO”

Patrícia Campos Mello

A expressão que melhor resume essa confusão criada contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, é repetida a todo instante, porque define quão surpreso estamos todos: “Liturgia do Cargo”.

Esse cuidado e respeito à liturgia do cargo faltou ao presidente Bolsonaro observar. Pois, sendo passional na defesa de seu entorno, o presidente acabou por endossar uma declaração caluniosa de um cidadão que, maliciosamente, sugeriu ter sido assediado pela jornalista. E mais que isso: Bolsonaro “enriqueceu” a maldade com figuras de imagem inconcebíveis.

A linguagem presidencial não foi apenas inadequada ao tratar do assunto envolvendo a jornalista que se coloca entre os melhores profissionais do jornalismo brasileiro. Patrícia tem currículo e tem história, fatos que nem o acusador Hans River (um afrodescendente, apesar do nome) nem o endosso presidencial consideraram.

Patrícia é um dos ícones da reportagem séria, do jornalismo maduro, sem qualquer ligação com esses que se improvisam em comunicadores nas redes sociais. Por anos, foi correspondente do Estado de São Paulo, em Washington, e acompanhou com coberturas todo governo Obama, entrevistou talebãs no Afeganistão, envolveu-se na cobertura de guerras tribais na África.

Patrícia Campos Mello tem biografia e história. E agora, sendo vítima de calúnia, acaba expondo uma nova mácula pública, como diz Mônica Waldvogel, que nem durante a ditadura os jornalistas registraram: o total desrespeito à liturgia que deve compor a Presidência da República nos atos de seu titular.

Leia Também

Leia Também