Livro mostra a grande batalha para realizar o sonho de Lerner e acentuar a genialidade de Niemeyer
O livro “O Olho de Curitiba”, de Nani Góis, que será lançado no dia 24 de setembro, às 19 horas, no Museu Oscar Niemeyer, é um registro fotográfico dos 185 dias de construção daquele que, anteriormente, fora batizado NovoMuseu por seu criador, o arquiteto Oscar Niemeyer, junto a seu idealizador, o também arquiteto Jaime Lerner, na época governador do Paraná. Sua edificação foi registrada pelas lentes de Nani Góis. “Mais do que imagens, ele registrou o espírito de um sonho”, frisa Lerner.
“PRAIA CURITIBANA”
Desde 22 de novembro de 2012, o Museu do Olho, o MON, como ficou conhecido não só no país, mas também no exterior, abriga referenciais importantes da criação artística e, se transformou, além de “orgulho” paranaense, com 35 mil metros quadrados de área construída e mais de 17 mil metros quadrados de área para exposições de artistas de todo o mundo, na “praia do curitibano”, aos finais de semana.
“Nani Góis acompanhou, diariamente, durante seis meses, a construção do museu, agarrado à sua máquina, às suas lentes e à sua extrema sensibilidade, voltado especialmente àqueles que o construíram. São milhares de fotos (as mais antigas arquivadas em rolos ou em slides), das quais foi necessária uma seleção, quem sabe injusta, para a publicação deste livro, que é outra magia ou, como a causa da existência do museu, uma obra de arte. Aliás, o próprio MON, que tem múltiplas funções, é uma belíssima obra de arte”, comenta o jornalista Nilson Monteiro, que editou e faz a apresentação do livro.
Livro sobre o MON
LERNER E NIEMEYER
Por sua vez, Góis explica o conceito de seu trabalho: “Na minha cabeça, resolvi associar o nome de duas inteligências em um nome só: ‘Jaime Niemeyer’. Eles conseguiriam juntar uma equipe de trabalhadores sem igual. Homens e mulheres para trabalhar dia e noite, do mais alto escalão ao mais humilde operário. Não mediram esforços. Não teve sol, chuva e trovoadas e cansaço que eles não enfrentassem. O dia a dia com suor e poeira, e eu via só alegria em cada um daqueles olhos”.
É BILINGUE
Em encadernação luxuosa, bilíngue, a publicação tem 276 páginas e 20 depoimentos de pessoas escolhidas pelo próprio autor. Desde um texto de Niemeyer, publicado no dia da inauguração do museu, na Folha de S. Paulo, aos da primeira e da atual diretora do MON, respectivamente Maristela Quarenghi de Mello e Silva e Juliana Vellozo Almeida Vosnika.
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O CLICK HISTÓRICO
Quem quiser fazer um levantamento sério da Curitiba urbana dos últimos 40 anos, terá de fatalmente recorrer à produção fotográfica de Nani Góis, repórter e artista plástico, um antropólogo das lentes a registrar o cotidiano da metrópole.
Não sou impelido por amizade ao exaltar o papel de Nani, de quem nunca fui muito próximo, até porque não houve oportunidade. Sou dos curitibanos que conhecem a cidade e sua gente, desde que tinha oito anos, quando aqui cheguei, com minha família. E me tornei parte desse cortejo que Nani foi captando com seu olhar de precisão jornalística.
Montou um arquivo histórico na diuturna catequese fotográfica. Não sou apressado, mas posso fazer exercício de previsão, já que o passado de Nani é o melhor avalista do artista: sua exposição do MON ficará na História, no rol da melhor documentação insubstituível da Curitiba que Jaime Lerner, o gênio, reinventou a partir de 1970.
Salve o Nani Góis
Salve Jaime Lerner
Salve Niemeyer
(AMGH)
SERVIÇO
O Olho de Curitiba
Nani Góis
Lançamento: dia 24, às 19 horas, no Hall das Esculturas