sexta-feira, 10 julho, 2026
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BRASIL, UM GIGANTE AGRÍCOLA QUE TROPEÇA NAS NORMAS AMBIENTAIS

Amazônia (Gustavo Frazao – Shutterstock)

O setor agropecuário foi responsável, sozinho, por dois terços (71%) das emissões de CO2 no Brasil em 2017

Agências de Notícias | Aleteia

O aumento crescente das exportações agrícolas para a Europa suscita temores de um novo avanço da fronteira agrícola no Brasil em detrimento da floresta amazônica e de outros ecossistemas ameaçados.

No Brasil sob administração do presidente Jair Bolsonaro, um notório cético do aquecimento global e defensor do agronegócio, monoculturas como a soja e a pecuária são as mais frequentemente encorajadas, em detrimento das pequenas produções familiares de médio impacto ao meio ambiente.

Este avanço, que ocorre devido a um modelo voltado à exportação, se dá ao custo de um desmatamento maciço na Amazônia e no Cerrado. Com cada vez mais conflitos com as comunidades tradicionais e tribos indígenas, que têm seus territórios subtraídos, mas também consequências para o clima, alertam especialistas.

O acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que ainda deve ser ratificado pelos Estados-membros nos dois lados do Atlântico, poderá estimular ainda mais estas exportações. O texto prevê que os europeus se comprometam a não importar soja ou carne bovina proveniente de terras desmatadas, mas sua aplicação permanece confusa.

DOIS TERÇOS DAS EMISSÕES

O setor agropecuário foi responsável, sozinho, por dois terços (71%) das emissões de CO2 no Brasil em 2017 sobre um total de 2,07 bilhões de metros cúbicos, que tornam o país o sétimo maior emissor do mundo, segundo as últimas estimativas do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa).

Este sistema, implantado pela ONG Observatório do Clima, leva em conta as emissões diretas, sobretudo as ligadas às emissões de metano de bovinos, mas sobretudo as indiretas, relacionadas ao desmatamento, incluindo as queimadas.

Pelo menos 46% das emissões brasileiras estimadas pelo SEEG provêm de “mudanças no uso do solo”. Tradução: imensas superfícies de floresta amazônica ou de Cerrado transformadas em terras agrícolas.

(AFP)

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