Haroldo Leon Peres: por um milhão de dólares; Cecílio do Rego Almeida: filmou e gravou tudo
Um governante receber propina não é uma novidade na história política brasileira. Em tempos que e-mail e celular ainda não existiam, por exemplo, um gravador escondido foi a causa que resultou na queda do governador do Paraná Haroldo Leon Peres em 1971.
Haroldo Leon Peres: por um milhão de dólares; Cecílio do Rego Almeida: filmou e gravou tudo
O fato foi noticiado em primeira mão pelo jornal ‘Voz do Paraná’ e a história está no livro “Voz do Paraná – Uma história de resistência”, escrito pelo jornalista Diego Antonelli e com lançamento previsto para outubro deste ano.
REGIME MILITAR
O então semanário foi o único jornal do estado a registrar com detalhes a queda de Leon Peres, que assumiu o posto de governador após ser nomeado pelo Regime Militar. Apesar da censura e autocensura presente nos veículos de comunicação, a Voz do Paraná subverteu a ordem e exerceu papel fundamental para noticiar as denúncias em torno de Leon Peres.
POR US$ UM MILHÃO
O então governador era acusado de exigir de Cecílio do Rego Almeida, um dos empresários e empreiteiros mais poderosos do Brasil, um depósito de um milhão de dólares no exterior para liberar o pagamento de 60 milhões de cruzeiros devidos pelo Estado por causa da construção da Estrada de Ferro Central do Paraná. Era a propina na cara dura.
RECAUCHUTAGEM
Leon Peres ainda era acusado de ter recebido de outros empresários do Paraná 170 mil cruzeiros destinados à reforma de sua casa, além de ter sido beneficiado na compra de terras a baixo custo nas proximidades da cidade de Matelândia, ao oeste do Paraná.
TUDO BEM FILMADO
Mesmo negando tais fatos, uma prova concreta foi determinante para a queda do então governador. A conversa e o pedido de propina a Cecílio do Rego Almeida na praia de Copacabana no Rio de Janeiro fora toda gravada e também filmada por agentes do Serviço Nacional de Informações, a SNI.
NEGANDO SEMPRE
Não havia como negar os fatos.
Em 23 de novembro daquele ano Leon Peres renunciou ao cargo de governador, durante leitura de carta-renúncia no gabinete governamental, no Palácio Iguaçu.
Este jornalista estava no pequeno grupo de autoridades e jornalistas (junto com Ayrton Luiz Baptista) que ouviram o discurso.
Haroldo Leon Peres continuou negando o crime até o fim.
Maí Nascimento Mendonça e Celso Nascimento: fazendo a renovação
ORDENANDO A HISTÓRIA
A história de Leon Peres é uma das tantas que estarão nas páginas do livro “Voz do Paraná – Uma história de resistência”.
O livro será vendido a R$ 40,00 na Livraria Letras e Artes. O trabalho coloca em ordem as muitas narrativas que se criaram em torno do jornal nascido como uma publicação da Arquidiocese de Curitiba, mas que na segunda fase (chamada de renovadora), comandada por Roaldo Koehler, foi por mim dirigido, com o apoio de Maí Nascimento Mendonça e Celso Ferreira do Nascimento.