quarta-feira, 8 julho, 2026
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“VINDAS” É IMPORTANTE PARA ENTENDER O PARANÁ

Russos Brancos, de Ponta Grossa

Um livro que coloca os imigrantes e seus descendentes como protagonistas. Esta é a proposta da obra ‘Vindas – Memórias de Imigração’, publicado pela ABC Projetos. O livro traz à tona histórias e memórias de imigrantes de diferentes etnias, entre elas: alemães, holandeses, italianos, japoneses, poloneses, russos e ucranianos.

‘Vindas’ é organizado por Alessandra Perrinchelli Bucholdz, Alan Fernando de Almeida, Samara Machado e Diego Antonelli.

NOMES DE CONSTRUTORES

A partir de diferentes histórias de vida, o livro conta a saga e os obstáculos superados pelos imigrantes na região dos Campos Gerais e também da Região Centro Sul. Além de a obra explicar uma breve história das razões dos processos imigratórios de cada uma dessas etnias para o Paraná, também fornece relatos de famílias que ajudaram a construir o estado. Wassilene Lendiuk, Reinder e Janny Barkema, Reiko Sumikawa, Jorge Kalugin, Ernest Milla, Lidovino Mazetto e Miguelito Denkewski, com suas memórias, proporcionam ao leitor um passeio detalhado a respeito da saga dos imigrantes no estado.

Livro “Vindas”

MILLA, EM ENTRE-RIOS

Ernest Milla, natural da Áustria, é um dos personagens que ajuda o leitor a entender como foi o processo de imigração germânica no estado.

Chegou a Guarapuava, na colônia alemã de Entre Rios (suábios do Danúbio), em 1954. Ele, que perdeu o pai na 2ª Guerra Mundial, chegou ao Brasil – mais precisamente no Porto de Santos – justamente no dia em que Getúlio Vargas cometeu suicídio. Alocado na região central do estado, Milla e os demais imigrantes passaram a se dedicar ao cultivo do solo.

Enfrentou dificuldades no plantio, mas as superou. Manteve ao longo dos anos a tradição alemã – seja no idioma falado em casa, seja na gastronomia. Como ele mesmo diz, “viemos do nada” e conseguiu ter uma vida realizada em solo paranaense.

EM CASTROLANDA

O casal holandês Reinder e Janny Barkema é outro exemplo de quem buscou no Paraná um lugar para reconstruir suas vidas. A escassez de solo na terra natal e as dificuldades socioeconômicas em um cenário pós-2ª Guerra obrigaram inúmeras famílias a migrarem para o Brasil. O casal chegou a Castro, na Região dos Campos Gerais, em 1954. Eles foram um dos pioneiros no processo de construção da colônia Castrolanda, que se caracteriza até hoje pela produção leiteira e pela atividade rural.

RUSSOS BRANCOS

Um outro exemplo contado pelo livro “Vindas” é o das famílias russas que vieram morar na colônia Santa Cruz, em Ponta Grossa. A saga é narrada pelo filho de imigrantes Jorge Kalugin. Seus pais – Luka e Agafia – chegaram ao país em, respectivamente, 1953 e 1960. Eles fugiram da perseguição do governo stalinista na então União Soviética e migraram para a China, onde seus antepassados eram obrigados a caçar para sobreviver. A situação financeira complicada fez com que eles escolhessem o Brasil para reconstruir suas vidas. Até hoje as tradições da religião ortodoxa são mantidas pelas famílias que residem no local, como o idioma e as roupas típicas. As mulheres casadas, por exemplo, devem usar lenço para cobrir o cabelo e os homens devem usar um cinto de pano na cintura.

Essas são apenas algumas das ricas histórias que o livro “Vindas” brinda ao leitor.

LEI DE INCENTIVO

O livro ‘Vindas – memórias da imigração’ foi produzido através da Lei Federal de Incentivo à Cultura com o apoio da MacPonta Agro, concessionário John Deere com mais de 23 anos de atuação no Paraná.

Todas as escolas da rede pública de ensino receberam gratuitamente o livro, como forma de democratização de acesso à cultura.

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