
O vereador Professor Euler (PSB) sabe muito bem distinguir o que pode ser legal daquilo que é absolutamente imoral. Pagar R$ 28,00 por uma garrafa de água mineral, por exemplo, é imoral num país pobre e de população vivendo abaixo da linha da pobreza.
Esse argumento da imoralidade – é que levou segunda-feira, 13, o vereador professor Euler (PSB) à tribuna da Câmara de Curitiba para propor o fim da gastança desbragada com diárias de viagem atribuídas ao prefeito da cidade.
Revoltado com o que considerou – justamente – uma sucessão de imoralidades, professor Euler recorreu ao Portal da Transparência da Prefeitura de Curitiba para mostrar que num só dia o prefeito Rafael Waldomiro Greca de Macedo gastou em restaurante de luxo – o Gero, em São Paulo e Brasília – R$ 1317,90, extrapolando a previsão legal.
Sem que tivesse pago a diferença de seu próprio bolso.
TUDO COMPROVADO
Professor Euler, cuidadoso como só ele, apresentou as notas de gastanças do prefeito de Curitiba feitas em alguns de seus périplos em 2018 e nos anos anteriores. Estranhou outros passos do prefeito, como o que o levou a ficar 5 (cinco) dias em São Paulo, às custas do erário (“quer dizer, de todos nós, curitibanos”) para tirar visto no Consulado dos Estados Unidos.
REDUZIR EM 40%
O normal para obter o visto é gastar-se no máximo dois dias, assegurou.
Diante de uma sucessão de gastanças mal explicadas, o vereador Professor Euler apresentou ao plenário a sugestão de redução de 40% no valor das diárias de viagens do prefeito, vice-prefeito, secretários, superintendentes, assessores e servidores em geral.
UMA REFEIÇÃO, R$ 801,55
Para reforçar seus argumentos, para não dar margem a que se considere que estaria exagerando por fazer oposição à atual administração municipal, Euler mostrou diversas notas de consumo do prefeito Rafael Waldomiro Greca de Macedo, em restaurantes de luxo, como o Gero, em São Paulo e Brasília.
Mas o que mais chamou a atenção, no entanto, foram os altos valores dessas notas: R$ 471,03; R$ 542,80; R$ 324,91; R$ 575,70; R$ 706,10; R$ 611,80; R$ 553,15; R$ 801,55; R$ 384,00.
GRECA NÃO DEVOLVE
O noticiário enviado pela assessoria do vereador Professor Euler ressalta os seguintes aspectos:
“Apesar de muitos desses valores ultrapassarem o limite de R$ 500 com alimentação e transporte, previsto na Resolução no 01/2017 da SGM, em nenhum desses casos o Prefeito fez devolução do valor excedente. No dia 09/04/2018, por exemplo, juntando almoço e jantar, o gasto do Prefeito foi de R$ 1317,90. Se a diária é de R$ 500, ele deveria ter pago R$ 817,90 do próprio bolso, mas não foi o que ocorreu.”
UMA ÁGUA, R$ 28,00
A denúncia do Vereador Professor Euler nos leva a algumas reflexões:
- a) É justo a população pagar pelo consumo de luxo do Prefeito, como R$ 28,00 por uma garrafinha de água San Pellegrino?
GORJETA DE R$ 194,35
- b) É justo a população pagar gorjeta espontânea do Prefeito de até R$ 194,35 em uma de suas refeições?
- c) Por que o Prefeito ficou 5 dias em São Paulo para tirar o visto americano, se isto leva apenas 2 dias? Por que a população deve pagar pelo consumo do senhor Prefeito durante esses dias?”
Veemente em sua manifestação e na defesa de sua nova proposição, o vereador Professor Euler assinalou ainda:
EXEMPLO ARRASTA
“A palavra convence, mas o exemplo arrasta. Em tempos de crise e cortes em serviços essenciais, está na hora de os políticos darem o exemplo, cortando os próprios gastos, excessos e luxos!”
COM LUCAS NAVARRO
Em algumas das viagens cujos gastos impressionantes estão no Portal da Transparência, o prefeito estava acompanhado do jovem advogado Lucas Navarro de Souza, seu “protegé”, que tem salário de 16.080,55 por servir no gabinete do alcaide.
Lucas, os leitores se lembram, gerou o grande terremoto ocorrido este ano no Gabinete de Rafael Waldomiro, quando o alcaide tentou, a todo custo, emplacar o jovem, 28, como chefe de seu gabinete prefeitural.
“ARANHA MARROM” BRECOU
Só não levou adiante o projeto – embora com o coração partido pela contrariedade – porque a “aranha marrom”, velha senhora, 75, e Giovanni Gionédis fizeram um enorme trabalho de inteligência que, por fim, afastou a possibilidade de Lucas ser o segundo da Prefeitura. Mas não o afastou da especial assessoria que presta ao alcaide.


