Por Antenor Demeterco Junior (*)

O jornalista Felipe Moura Brasil preparou a série de artigos já publicados na imprensa do filósofo, hoje morador de Richmond – USA, que resultaram no livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”.
Traçar as linhas fundamentais do pensamento olaviano não é fácil através de artigos isolados de autoria do mesmo.
Percebo que duas diretrizes acusatórias avultam dos diversos textos esparsos: As alegadas ligações da esquerda com o tráfico de drogas, especialmente na América latina, e o encaminhamento planeado da sociedade para novos valores (ou falta de valores) espalhados por um hipotético e futuro “governo mundial”, ou “governo global”, ou “Estado mundial” ou “leviatã planetário”.
FIDEL CASTRO
O falecido Fidel Castro é suspeitíssimo, pois em 1970 já estaria a autorizar aviões de narcotraficantes atravessarem o espaço aéreo cubano (cf.p.289).
O ditador cubano já foi acusado de intervir militarmente em Angola com tropas sustentadas pelo tráfico, o que resultou no fuzilamento do general Arnaldo Ochoa (1930-1989), como satisfação para a opinião pública mundial.
A partir dos 1950 a hoje extinta URSS teria começado a treinar agentes para se infiltrarem nas então incipientes redes de tráfico de drogas, especialmente na América Latina (cf.p.525).
NO FORO SÃO PAULO

Esta teria sido a origem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC, exército de narcotraficantes com receptividade no Foro de São Paulo, apogeu do esquerdismo de governos latino-americanos, onde contatos com “quadrilhas de narcotraficantes brasileiros – especialmente do PCC” eram estabelecidos (cf.p.527).
GOVERNO MUNDIAL
O futuro governo mundial a que se refere Olavo teria seu caminho pavimentado pela “complexidade crescente da administração pública” o que faz com que decisões fundamentais escapem de discussões parlamentares, diluindo soberanias nacionais, transferindo a autoridade dos Estados para organismos internacionais; pela progressiva concentração dos meios de comunicação nas mãos de “um reduzido número de grandes grupos econômicos íntimos do poder estatal” (verdadeiras agências de engenharia comportamental e controle político); e, finalmente, a queda da URSS desorientou as massas de militantes por toda a parte, que teriam sido cooptadas para servir subsidiadas pela elite financeira.
MÉTODO GRAMSCI
A metodologia para conquista do poder seria a do comunista Antonio Gramsci (1891-1937), ou seja, primeiro a captação da sociedade via insuflação de ideias.
Olavo de Carvalho tem uma bagagem intelectual invejável que atua como uma lâmina afiadíssima, decepando posicionamentos ideológicos assentados, em especial à esquerda.

O miliardário George Soros é acusado de ser o maior financiador da campanha pela liberação das drogas, de financiador de organizações pró-terroristas e desarmamentistas, e de ser aspirante a “presidente informal do mundo” (cf.p.535).
DIFÍCIL CONTESTAR
Olavo se faz merecedor de contestações por quem divergir dele, não há como simplesmente ignorá-lo ou maldizê-lo.
E, convenhamos, não é fácil contestá-lo e submeter-se uma saraivada de argumentos cuidadosamente selecionados, e a ofensas pessoais com palavras pouco recomendáveis para um intelectual de seu porte.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado, desembargador aposentado do TJ-PR, especialista em História do Século 20.
