
Alexandre Frota, o deputado recém-eleito pelo PSL/SP, deixou o mundo das artes, entrou na política para valer e agora envolve-se num terreno perigoso, por vezes confusos, e gerador de muitas discordâncias. Isso se deu quando se reuniu com representantes do SBT, Rede Recorde e Rede TV para debater a chamada – BV -, Bonificação de Volume no mundo da publicidade. O que fez a pedido do Governo e dos veículos, é o que se conclui.
Com a BV (que os maldosos apelidam de “boa vontade”) o mundo publicitário, anunciantes e veículos se relacionam comercialmente, estabelecendo um “modus vivendi” por meio da lei 4.680, de 1965, que regula a atividade publicitária no Brasil.
Essa lei depois foi seguida por um Documento Complementar firmado entre Veículos, Anunciantes e Agências, já no período Lula de governo. O documento passou a integrar a lei.
A partir do Documento Complementar fica estabelecido, pois, a BV.
COM INTIMIDADE
Tratando com intimidade o presidente da República – refere-se a ele simplesmente como Jair – Frota montou um projeto de lei sobre a BV, inspirado especialmente pelo Governo e veículos citados (e talvez a Rede Bandeirantes).
A finalidade é de basicamente combater a Rede Globo, a grande beneficiaria da publicidade em geral (35% do share) e do governo em particular.
De rebote, diz-se, o alvo seria também o jornal Folha de São Paulo, por sua linha claramente de oposição ao Governo. Essa qualidade, vista pelo governo – e de “oposição sistemática a à administração Bolsonaro” – seria marca maior da Rede Globo.
FONTES LOCAIS
Esse BV, é “apenas programa de incentivo a veículos”, segundo opinaram ontem três publicitários curitibanos, que pedem anonimato,

O BV pode ser o epicentro de nova frente de luta presidencial, que já prometeu cortar Globo e Folha das programações publicitárias federais. O que quer dizer: ficam fora de um possível bolo de bilhões de reais. Em 2018, Globo recebeu R$ 12 bi de publicidade.
Os publicitários paranaenses mantiveram-se apenas na defesa da legislação que regula a atividade das agências.
Mas alguns de seus auxiliares, por mim ouvidos, disseram simplesmente:
“Isso, o BV, é um vespeiro. Melhor não mexer com ele.”
ABAP QUER ENSINAR
Já o presidente da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (ABAP), Mário D’Andrea, tem outra visão: ele acha que a BV é tratada como mito, quando “se trata de prática normal”. Mero mecanismo que levou agencias a reduzir e a deixar de cobrar as comissões regulares (que podem chegar a 20%).
D’ Andrea é direto: quer abrir um canal de comunicação com o Governo “para ensinar como é o dia a dia do mercado”. E, em tom sério, acabou dando um recado, na opinião publicada na FSP deste dia 8:
“Afinal, somos liberais”.
