quinta-feira, 2 julho, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: Mudanças climáticas podem triplicar desastres naturais até o final do século

Ciclones extratropicais serão mais frequentes e com potencial de causar estragos sociais e econômicos. Aumento significativo da precipitação extrema é projetado para a Europa e a América do Norte a partir destes fenômenos. A reportagem foi publicada por University of Exeter e reproduzida por EcoDebate, 28-11-2018. A tradução é de Henrique Cortez.

(Do IHU Unisinos)

Fenômenos climáticos serão cada vez mais frequentes
Fenômenos climáticos serão cada vez mais frequentes

Uma pesquisa pioneira, liderada pelo Dr. Matt Hawcroft, da Universidade de Exeter, mostrou informações novas e detalhadas sobre as projeções da frequência de ciclones extratropicais.

A pesquisa mostra que, a menos que haja uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa, haverá um grande aumento em sua frequência em grandes áreas do hemisfério norte.

Crucialmente, o impacto nas comunidades locais pode ser severo, com tempestades mais intensas e extremas, levando a maiores eventos de enchentes em grande escala – similares aos experimentados em Somerset em 2013/14, Cumbria em 2015 e Gloucestershire em 2007.

A pesquisa ‘Significantly increased extreme precipitation expected in Europe and North America from extratropical cyclones‘ foi publicada na revista Environmental Research Letters na terça-feira, 27 de novembro de 2018.

Hawcroft, pesquisador do Departamento de Matemática da Exeter, disse: “Espera-se que os extremos de precipitação aumentem em intensidade e frequência em um clima mais quente. Neste trabalho, atribuímos essas mudanças aos eventos que trazem muito de nossas chuvas e inundações em larga escala. Essa informação adicional, sobre a natureza dinâmica das mudanças, é importante, pois fornece informações claras sobre a natureza e o impacto das mudanças na precipitação que podem ser usadas, por exemplo, na formulação de políticas e no planejamento da adaptação.”

FUNDAMENTAL

Os ciclones extratropicais desempenham um papel fundamental na variabilidade climática do dia-a-dia em grandes partes da América do Norte e da Europa. Eles são caracterizados por áreas de baixa pressão atmosférica no centro da tempestade, com o ar puxado ciclicamente (anti-horário) em torno da baixa pressão.

Isso leva ao ar quente sendo extraído do Sul e ao ar frio do Norte. Na interface do ar frio e quente, formam-se frentes que podem induzir chuvas fortes. As tempestades mais extremas são responsáveis por inundações em grande escala na América do Norte e na Europa.

Uma informação fundamental para os formuladores de políticas e governos que buscam mitigar essas condições climáticas extremas é a capacidade de projetar onde e com que frequência essas tempestades podem ocorrer no futuro. No entanto, as atuais projeções do modelo climático são afetadas por enormes incertezas.

TÉCNICAS MODERNAS

Neste novo estudo, os pesquisadores analisaram o comportamento das tempestades atuais e futuras usando técnicas modernas de modelagem e rastreamento de tempestades. Ao abordar a análise em uma estrutura “centrada na tempestade”, a equipe foi capaz de avaliar as mudanças na frequência e intensidade desses ciclones extratropicais com mais consistência do que os estudos anteriores sugeriram.

É importante ressaltar que a equipe de pesquisa foi capaz de mostrar que os modelos projetam que haveria um aumento de três vezes no número dos ciclones extratropicais que mais intensamente precipitam na Europa e na América do Norte até o final do século.

Hawcroft acrescentou: “Devido à complexidade da resposta de circulação ao aquecimento, há muita incerteza nos padrões regionais de mudança climática. Dada essa incerteza, é importante ser capaz de destilar informações claras onde elas estão disponíveis. Aqui mostramos que, apesar dessas complexidades, ainda somos capazes de fornecer projeções grandes e consistentes de mudança nesses eventos de grande impacto”.

Efeitos de ciclones
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