quarta-feira, 1 julho, 2026
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Móveis ‘descomplicados’, novas criações de Jaime Lerner

Alguns dos móveis da mostra. Nota-se os traços simples e descomplicados
Alguns dos móveis da mostra. Nota-se os traços simples e descomplicados

Quem for à mostra ‘Jaime Lerner Design’, dia 12, terça-feira, no piso L-2 do Shopping Pátio Batel, a partir das 19 horas, prepare-se para ver, tocar e apreciar cinco peças de móveis explicadores de novos ângulos da criatividade do urbanista.

A exposição resume ideias materializadas em cadeiras e banco, em metal e madeira. São peças que Lerner define como resultantes de simplicidade e beleza:

Mais um trabalho da ‘Jaime Lerner Design’
Jaime Lerner: ‘usina de criação’ (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

“Eu gosto muito da expressão japonesa Wabi Sabi, que quer dizer beleza da simplicidade. Sempre persegui a ideia de desenhar móveis que fossem simples, que não tivessem complicações, parafusos e outras coisas”, afirma o arquiteto.

COM SAMIRA

Os móveis foram desenvolvidos a partir de projetos de Lerner pela arquiteta Samira Barakat, sócia dele na área de mobiliário. Ela começou trabalhando como estagiária, em 2008, no escritório Jaime Lerner.

São quatro novas peças, que dão prosseguimento à primeira incursão no mobiliário, feita em 2017: “Naquele ano, lancei uma namoradeira, que hoje está na casa de Cláudio Loureiro”, explica Jaime Lerner.

Para Lerner, tal simplicidade não se aplica apenas à estética, mas também aos materiais utilizados, como chapas metálicas e madeira:

“A ideia surgiu quando começamos a desenvolver algumas brincadeiras em aço. Começamos com algumas maquetes de móveis que poderiam ser montados só dobrando as chapas, de forma que não houvesse nenhuma marca”, lembra.

METAL, DE INÍCIO

Lerner diz que as cadeiras foram nascendo “aqui no nosso escritório, que é um lugar alegre, e tudo aconteceu por prazer. Fomos gerando móveis descomplicados”.

A uma pergunta, diz não saber de preço com que os móveis serão vendidos pela Attisan, com lojas em Curitiba, São Paulo e Rio: “Não sou bom de comércio”, garante.

Lerner recorda que “houve momento do desejo de trabalhar apenas com metal, no entanto, este material apresentou alguns obstáculos no manuseio”.

O tempo mostrou que era perigoso trabalhar só com chapas por causa da flambagem. Elas tinham um jogo em que a madeira resolveria melhor, explica.

“Então saiu um conjunto de móveis que às vezes eram resolvidos na madeira e às vezes só na chapa. Mas sempre procurando simplicidade”, finaliza.

SERVIÇO

Serão exibidos exibidas cinco peças de mobiliário projetadas por ele, sendo quatro inéditas. Além da já conhecida Chaise Urca, que foi lançada em 2017 em parceria com a empresa Artesian, serão apresentados ao público o Banco W, a Cadeira M, a Lua Turca (um balanço) e o Toinoin (banco).

Horário de visitação: após a inauguração, a exposição ficará em cartaz até 25 de novembro, podendo ser visitada de segunda a sábado das 10h às 22h e no domingo das 14h às 20h.

O convite
O convite

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SAMIRA MATERIALIZA OS PROJETOS

Samira Barakat: sócia
Samira Barakat: sócia

Aos 35 anos, jovial e muito comunicativa, Samira Barakat está desde 2008 ligada ao escritório de Jaime Lerner. “Comecei como estagiária no escritório. Quando Jaime me pediu que fizesse maquetes, minha participação ao lado dessa usina de ideias e sensibilidade tomou outro rumo”, explica a arquiteta, formada na PUCPR.

Ela tornou-se, em 2010, sócia de Jaime Lerner para a área de mobiliário:

– Jaime concebe os surpreendentes móveis, passa a concepção para o papel. Daí em diante, entro para tornar real a concepção. Executo o desenvolvimento”, explica Samira.

Jaime não fala de preços. Diz que não é forte em comércio.

Samira só me adianta que a cadeira Urca, lançada ano passado, parceria com a Artisan, é comercializada por R$ 14 mil. E que os preços das outras quatro peças “só definirei preço na segunda, 11”.

Abrão Assad: sólidos vínculos
Abrão Assad: sólidos vínculos

UM SER ECUMÊNICO

Jaime Lerner é tipo humano diferenciado também pela maneira com que aglutina em torno de si pessoas que espelham ampla diversidade cultural. Samira, por exemplo, nascida em Foz do Iguaçu, é muçulmana (não praticante, mas respeitadora da religião em que foi criada). Não usa o hijab, vive vida à ocidental e integrada na sociedade abrange. É filha de libaneses.

ABRÃO E VALÉRIA

Nesse capítulo da integração com homens e mulheres de outras etnias, lembro que um dos mais fiéis amigos de Lerner é o arquiteto Abrão Assad, que esteve com Jaime nos primeiros dias da revolução urbana dos anos 1970 em Curitiba. E outra descendente de árabes cristãos, a arquiteta Valéria, há dezenas de anos é sócia de Lerner no Escritório Jaime Lerner, e uma das poucas pessoas que falam por ele quando se trata de serviços técnicos que o grupo presta a diversos países.

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