O Brasil que reflete ainda não se recuperou por inteiro do choque lhe propiciaram as eleições de outubro, geradoras de novos paradigmas políticos e da arte de ganhar corridas eleitorais. E que também sepultaram – espera-se que definitivo – a velha maneira de ganhar eleições e todo o velho e custoso aparato de marketing e propaganda pelas vias tradicionais.
Grandes analistas, alguns pensadores de melhor nível possível, mostraram antecipadamente aquilo que agora soa óbvio: há uma nova maneira de chegar ao eleitor, infinitamente mais barata – e com eficiência comprovada -, via redes sociais e as muitas alternativas da web. Isso, por outro lado, também incluiu as criminosas ‘fake news’, para as quais só há o remédio de duras penas que venham através de novas leis para enfrentar essa face de uma realidade novíssima.
O NOVO E O VELHO
Os ventos de renovação nem sempre foram para melhor, se considerarmos apenas os novos que foram entronizados na vida pública.
Vejamos: se de um lado teremos no Paraná raridades jovens como os agora deputados estaduais eleitos Soldado Fruet (SD) e Goura Nataraj (PDT) – um intelectual espiritualista de alto nível -, no entanto, o Norte do Brasil “renovou” com Helder Barbalho, o filho de uma das mais repulsivas raposas políticas do país, o senador Jader Barbalho (MDB). E no Nordeste, o “novo” veio em forma do velho Renan Calheiros (MDB).
LICENÇA PARA MATAR
No Rio, entre o ruim e o pior, os fluminenses escolheram um “novo”, o juiz Witzel (PSL), que já está distribuindo aos policiais licença para “caçar” bandidos com certeiros tiros de fuzis… E olha que o homem vem da magistratura federal…
“Um tiro bem na cabecinha”, recomenda o novo governador de um estado useiro e vezeiro em gerar raridades como Garotinho e sua mulher, Rosinha, Benedita da Silva, Sergio Cabral Filho e Pezão – este, ainda reinando.
PERDERAM OS ANALISTAS
Se tivemos essas mazelas citadas acima, reconheça-se que a renovação foi surpreendente em certos estados. No Paraná, Ratinho Junior (em quem não votei), desmentiu, com sua eleição, uma série de analistas e cientistas políticos que diziam e garantiam que “o Estado é muito conservador para eleger alguém que atende pelo nome de um roedor”.
Diziam ainda outros bons avaliadores das eleições que essa pregação – a de que o Paraná recusaria um nome tão exótico e distante de sua realidade histórica- estaria até fundamentada em pesquisas de opinião. Elas, pois, falharam redondamente.
Erraram todos os que decretaram vida curta ao “mouse”.
ORIOVISTO E FLÁVIO
A renovação não significa necessariamente a eleição de jovens. Pelo contrário, no Paraná, a novidade veio, para o Senado, em forma de um septuagenário empresário e professor universitário, Oriovisto Guimarães, e do político calejado, sexagenário, mas também ficha limpa, Flávio Arns, que passou incólume por um governo objeto de tantas acusações por parte do MP.
Meu amigo Cláudio Loureiro, o mago da Heads Publicidade, já disse a esta coluna que o marketing político tradicional e os tradicionais veículos de comunicação não saíram perdendo nessas eleições de agora.
Lembrou que o próprio Bolsonaro foi beneficiado pela enorme cobertura das mídias tradicionais a partir do atentado que sofreu.
De minha parte, contabilizo algumas surpresas, expressas sobremaneira na forma como Oriovisto e Arns ganharam a eleição.
Arns recorreu às redes, ao WhatsApp, claro, mas se apoiou muito na “película de boa gordura” que dá suporte ao nome de sua excepcional família, e a obra que ele plantou na área de educação e atenção às APAES. Boa parte, quando foi senador.
MAINARDES SURPREENDE
Mas a maior das surpresas foi a revelação do coordenador de mídia de Oriovisto Guimarães, Rogério Mainardes, experiente homem de marketing empresarial e que estreou muito bem como “vendedor” de Oriovisto. A começar pelo fato de que Mainardes ajudou decisivamente Oriovisto a abraçar dois parelheiros que tinham tudo para vencer no grande páreo – Bolsonaro e Ratinho Junior. E venceram.
Outra surpreendente revelação eleitoral foi a votação, 61mil, conseguida por Evandro Araújo, que estava na AL como suplente de deputado. Vai para a Assembleia como educador universitário muito bem equipado culturalmente e com redes de apoio seguras, como a RCC, a Renovação Carismática Católica.
Resumindo: acho que aqueles que melhor se elegeram foram especialmente os que captaram ânsias do cidadão, muito além da lenga-lenga partidária.
Se o eleitor acertou nas escolhas, teremos quatro anos para saber.
