quarta-feira, 1 julho, 2026
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Tows restaura “Gabriela”, parte da memória de Curitiba

Eduardo Tows e seu ônibus "Gabriela"
Eduardo Tows e seu ônibus “Gabriela”

Nos anos 1970. Eduardo Tows, a exemplo de milhares de outros meninos, era colegial e utilizava o sistema de transporte urbano para se deslocar de casa à escola, e vice-versa. Desde menino apaixonado por ônibus, jamais esqueceu o coletivo mais usado nesse percurso – um Mercedes-Benz desde 1974 encarroçado pela Caio de São Paulo – o modelo Gabriela, que marcou época. Enquanto produzido regularmente, o modelo foi marca registrada no Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba.

SONHO REALIZADO

Tows cresceu, formou-se em Engenharia Mecânica, hoje é gerente de Manutenção da Viação Cidade Sorriso, e só agora realizou um antigo sonho de menino: comprar e restaurar um Caio Gabriela ano 1974, mantendo suas características originais. O ônibus, durante cinco anos, estava abandonado em uma rua no município de Colombo, e originalmente pertencia à hoje extinta Auto Viação Nossa Senhora da Luz. O modelo estava completamente fora dos padrões das cores originais – verde e amarelo. A identificação só foi possível depois de profunda pesquisa da placa que o ônibus então ostentava. Descobriu-se assim também o número de ordem do veículo.

RESTAURO IMPECÁVEL

Não faltaram amigos e conhecidos durante o processo de restauro, exigindo muitas vezes a atenção de um ourives para a recuperação de peças. Muitas delas foram produzidas de forma artesanal, ou foram encontradas em Minas Gerais e São Paulo. O restauro foi impecável, observada a importância histórica do modelo e também por conta da memória do transporte urbano. Aos poucos a velha sucata ganhou o esplendor original: frisos, máscaras dos faróis Sealed Beam, limpadores a ar pneumáticos, válvulas da porta. E até as plaquetas metálicas de identificação, de entrada e saída.

DETALHES

O cuidado foi tanto, que até os furos das chapas antigas foram mantidos, para não danificar a chapa da carroceria. A porta traseira foi reaberta, e Tows reinstalou até a velha catraca então usada e hoje peça de museu – ela foi doada por parceiros. A intenção foi dotar o Gabriela com o máximo de peças originais, inclusive, uma lente de luz interna, quadrada, produzida pela Caio – e que acendia quando a porta dianteira era aberta.

ÍCONE REVOLUCIONÁRIO

O Caio Gabriela foi o ícone dos anos 1970. A encarroçadora foi pioneira ao lançar o para-brisa traseiro plano, em peça única. Até ali, todos os ônibus tinham os vidros traseiros bipartidos e minúsculos. Não demorou para a concorrência seguir o exemplo. O Gabriela foi também a base para a versão pioneira articulada da fabricante de São Paulo. A carroceria ganhou linhas retas, uma enorme área envidraçada, com colunas inclinadas, que davam um toque futurista ao modelo. A carroceria, originalmente de chapa de aço, perdeu peso por conta do uso da vibra de vidro. No interior, iluminação fluorescente.

Assim ficou o ônibus, depois da restauração.
Assim ficou o ônibus, depois da restauração.

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