terça-feira, 30 junho, 2026
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Tropeiros superaram bandeirantes, mostra livro de Urban

Painel dos Tropeiros, na Lapa, de Poty
Painel dos Tropeiros, na Lapa, de Poty

Os tropeiros, mais que os bandeirantes, entre os séculos XVII e XIX, foram os principais responsáveis pela abertura de veredas e caminhos que resultaram na atual malha rodoviária do Brasil Meridional. Esse, em princípio, é o resultado de uma profunda pesquisa, realizada ao longo dos cinco últimos anos, pelo jornalista e pesquisador da memória histórica, Raul Guilherme Urban, contida na obra “Trilhas, Veredas, Caminhos e Estradas do Brasil – Um olhar histórico sobre a integração nacional através do desenvolvimento rodoviário, do século XVI ao início do século XX”.

EM 420 PÁGINAS

Ao longo das 420 páginas, o autor palmilha o misticismo da Estrada do Peabiru, que, segundo a História, no período pré-cabralino ligava as costas leste e oeste da América Latina; prossegue pelos primitivos caminhos do Brasil Colônia; envereda pelas Estradas Reais – fonte permanente de arrecadação de taxas e impostos recolhidos pela Coroa, mas jamais reinvestidos na infraestrutura viária.

FOCO PRINCIPAL

Mas são os Tropeiros e o tropeirismo os focos principais do autor, ao mostrar que foram eles, de forma mais expressiva que a dos bandeirantes paulistas, que abriram as rotas viárias, ao conduzirem regularmente o gado das Vacarias, da então Província de São Pedro do Rio Grande, à Feira de Sorocaba, no interior paulista. Em sua grande maioria, esses tropeiros eram oriundos dos Campos de Curitiba, responsáveis pela ocupação e colonização do extremo Sul do país ao longo de três séculos.

OS PARANAENSES

Destacaram-se como tropeiros, entre os paranaenses, Luciano Carneiro Lobo; José Félix da Silva, Joaquim Correia de Lacerda; João da Silva Machado, o Barão de Antonina; David dos Santos Pacheco, o Barão dos Campos Gerais; Bonifácio José Batista, Barão de Monte Carmelo; Domingos Ferreira Pinto, o Barão de Guaraúna, bem como Antônio de Sá Camargo, o Visconde de Guarapuava, entre tantos outros.

CECÍLIA WESTPHALEN

Cassiana Lícia Lacerda, Cecília Westphalen, David Silva Carneiro, Ruy Wachowicz: pesquisadores
Cassiana Lícia Lacerda, Cecília Westphalen, David Silva Carneiro, Ruy Wachowicz: pesquisadores

David Carneiro, Ermelino de Leão, Cecília Westphalen, Antônio Vieira Santos, Ruy Wachowicz, Altiva Pilatti Balhana, Romário Martins e Cassiana Lícia Lacerda são apenas alguns dos historiadores paranaenses pesquisados e citados. Somam-se a eles os historiadores gaúchos Arthur Ferreira Filho, Jorge Goulart, Dante de Laytano, Barbosa Lessa, Walter Spalding, Nestor Ericksen e Sebastião de Freitas. E, ainda, os catarinenses, entre eles Oswaldo Rodrigues Cabral, Roselane Neckel, Antônio Dias Mafra, Ana Brancher, Sílvio Coelho dos Santos e Sara Regina Silveira de Souza, entre outros. À pesquisa somam-se ainda antigas enciclopédias que retratam o Brasil da Colônia à República – fontes indispensáveis para a disponibilidade correta de fontes.

OPÇÃO RODOVIÁRIA

Em suma, a obra, que também se debruça sobre o presente, ao mostrar que, a partir daí, o Brasil optou pelo rodoviarismo, revela que foram essas trilhas e caminhos que originaram a vasta malha rodoviária nacional, e que permitiu a questionável implantação da indústria automobilística no país, ainda no correr dos anos 1950. O documento, voltado à pesquisa e aos estudos históricos, procura a oportunidade de edição.

RAUL GUILHERME URBAN

Raul Guilherme Urban, autor
Raul Guilherme Urban, autor

O autor publicou “Calçadão – 20 Anos Depois”, quando da passagem dos 20 anos de implantação do primeiro calçadão para pedestres no país, em 1992; “Curitiba – Lares & Bares”, contendo a história boêmia da capital, de 1850 a 1970, lançado em 2002; “História do Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba – 1887/2000”, lançado em 2004, além da coletânea poética “Cabelos Molhados ao Sul de Abril”, contendo poesias escritas de 1968 a 1986 (da ditadura à redemocratização), lançada em outubro de 2017.

Raul Urban formou-se em Jornalismo pela PUCPR (antiga UCP), em 1970.

Natural de Joinville, Santa Catarina, filho de um empresário, deputado estadual da UDN, é fluente em alemão. Concursado para trabalhar na Deutsch Welle, a emissora de rádio internacional da Alemanha, foi bem aprovado. Recusou, depois, a oferta de trabalho: não queria deixar o Brasil.

Raul trabalhou em diversos veículos de comunicação, como O Estado o Paraná e Diário Indústria e Comércio, em Curitiba, além de emissoras de televisão (no Jornalismo, como a TV Iguaçu). Grande conhecedor dos meandros do transporte urbano e do rodoviarismo em geral, Urban dedicou anos trabalhando na Prefeitura de Curitiba, especialmente na URBs.

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