
Os tropeiros, mais que os bandeirantes, entre os séculos XVII e XIX, foram os principais responsáveis pela abertura de veredas e caminhos que resultaram na atual malha rodoviária do Brasil Meridional. Esse, em princípio, é o resultado de uma profunda pesquisa, realizada ao longo dos cinco últimos anos, pelo jornalista e pesquisador da memória histórica, Raul Guilherme Urban, contida na obra “Trilhas, Veredas, Caminhos e Estradas do Brasil – Um olhar histórico sobre a integração nacional através do desenvolvimento rodoviário, do século XVI ao início do século XX”.
EM 420 PÁGINAS
Ao longo das 420 páginas, o autor palmilha o misticismo da Estrada do Peabiru, que, segundo a História, no período pré-cabralino ligava as costas leste e oeste da América Latina; prossegue pelos primitivos caminhos do Brasil Colônia; envereda pelas Estradas Reais – fonte permanente de arrecadação de taxas e impostos recolhidos pela Coroa, mas jamais reinvestidos na infraestrutura viária.
FOCO PRINCIPAL
Mas são os Tropeiros e o tropeirismo os focos principais do autor, ao mostrar que foram eles, de forma mais expressiva que a dos bandeirantes paulistas, que abriram as rotas viárias, ao conduzirem regularmente o gado das Vacarias, da então Província de São Pedro do Rio Grande, à Feira de Sorocaba, no interior paulista. Em sua grande maioria, esses tropeiros eram oriundos dos Campos de Curitiba, responsáveis pela ocupação e colonização do extremo Sul do país ao longo de três séculos.
OS PARANAENSES
Destacaram-se como tropeiros, entre os paranaenses, Luciano Carneiro Lobo; José Félix da Silva, Joaquim Correia de Lacerda; João da Silva Machado, o Barão de Antonina; David dos Santos Pacheco, o Barão dos Campos Gerais; Bonifácio José Batista, Barão de Monte Carmelo; Domingos Ferreira Pinto, o Barão de Guaraúna, bem como Antônio de Sá Camargo, o Visconde de Guarapuava, entre tantos outros.
CECÍLIA WESTPHALEN

David Carneiro, Ermelino de Leão, Cecília Westphalen, Antônio Vieira Santos, Ruy Wachowicz, Altiva Pilatti Balhana, Romário Martins e Cassiana Lícia Lacerda são apenas alguns dos historiadores paranaenses pesquisados e citados. Somam-se a eles os historiadores gaúchos Arthur Ferreira Filho, Jorge Goulart, Dante de Laytano, Barbosa Lessa, Walter Spalding, Nestor Ericksen e Sebastião de Freitas. E, ainda, os catarinenses, entre eles Oswaldo Rodrigues Cabral, Roselane Neckel, Antônio Dias Mafra, Ana Brancher, Sílvio Coelho dos Santos e Sara Regina Silveira de Souza, entre outros. À pesquisa somam-se ainda antigas enciclopédias que retratam o Brasil da Colônia à República – fontes indispensáveis para a disponibilidade correta de fontes.
OPÇÃO RODOVIÁRIA
Em suma, a obra, que também se debruça sobre o presente, ao mostrar que, a partir daí, o Brasil optou pelo rodoviarismo, revela que foram essas trilhas e caminhos que originaram a vasta malha rodoviária nacional, e que permitiu a questionável implantação da indústria automobilística no país, ainda no correr dos anos 1950. O documento, voltado à pesquisa e aos estudos históricos, procura a oportunidade de edição.
RAUL GUILHERME URBAN

O autor publicou “Calçadão – 20 Anos Depois”, quando da passagem dos 20 anos de implantação do primeiro calçadão para pedestres no país, em 1992; “Curitiba – Lares & Bares”, contendo a história boêmia da capital, de 1850 a 1970, lançado em 2002; “História do Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba – 1887/2000”, lançado em 2004, além da coletânea poética “Cabelos Molhados ao Sul de Abril”, contendo poesias escritas de 1968 a 1986 (da ditadura à redemocratização), lançada em outubro de 2017.
Raul Urban formou-se em Jornalismo pela PUCPR (antiga UCP), em 1970.
Natural de Joinville, Santa Catarina, filho de um empresário, deputado estadual da UDN, é fluente em alemão. Concursado para trabalhar na Deutsch Welle, a emissora de rádio internacional da Alemanha, foi bem aprovado. Recusou, depois, a oferta de trabalho: não queria deixar o Brasil.
Raul trabalhou em diversos veículos de comunicação, como O Estado o Paraná e Diário Indústria e Comércio, em Curitiba, além de emissoras de televisão (no Jornalismo, como a TV Iguaçu). Grande conhecedor dos meandros do transporte urbano e do rodoviarismo em geral, Urban dedicou anos trabalhando na Prefeitura de Curitiba, especialmente na URBs.
