
A última mostra individual de Carlos Eduardo Zimmermann, que morreu no domingo último, foi realizada na Galeria Zilda Fraletti, em 2014.
Zilda é a marchande que representa o artista, sendo ele um dos nomes mais significativos das artes plásticas do Paraná. Junto com Bia Wouk, Osmar Chromieck e Romnes Dunke, dentre outros, Carlos Eduardo Zimmermann é muito representativo da chamada “Geração Anos 1970”.
Sepultado na tarde de terça, 5, no Cemitério Evangélico Luterano em Curitiba, o artista foi velado por muitos amigos. Alguns vindos de São Paulo e Rio para o sepultamento.
TRIBUTO
Nessa linha de tributo ao artista, o site da Revista Topview, neste próximo sábado, estará apresentando um amplo perfil do artista, sua vida, obra, sua personalidade, em trabalho do jornalista Rafael Costa.
Ontem a Galeria Fraletti encaminhou, a meu pedido, fotos da última exposição individual de Zimmermann, realizada em 2014, naquele espaço.
As fotos são de Gerson Lima.
MEU TEXTO
A mostra celebrou os 30 anos da galeria de arte. Na ocasião, Zimmermann publicou, a guisa de crítica a sua obra, o texto que eu escrevei sobre ele, na revista IDEIAS, em 2005. Na verdade, Zimmermann foi grato pelo texto, tendo insistido para que eu autorizasse ser republicado na mostra individual.
Essa crítica foi parte, em 2008, de um grande perfil com que apresentei Carlos Eduardo no meu livro VOZES DO PARANÁ, volume 1.
A ÚLTIMA EXPOSIÇÃO (2)
Texto do catálogo da última mostra:
Zimmermann: Criador de Atmosferas (*)
Carlos Eduardo Zimmermann tem sido, desde a primeira exposição em 1972, um comunicador de redescobertas, trabalhadas em telas e acrílica, preferencialmente, sob o comando de irreprimível impulso de registrar.
Não tem preferência por técnicas, expressa-se também em esculturas, desenhos, colagens, gravuras. Faz arte abstrata e figurativa, não há contradições, há interações.
Uma arte de imponente técnica, de domínio pleno de espaços vazios.
Eloquentes e infinitos espaços nus, dóceis à modelagem que Zimmermann pode imprimir-lhes.
Foi Cézanne quem cunhou a expressão “ser artista não é uma profissão mas um destino“. Zimmermann talvez acredite que não precisa explicar sua arte. Prefere convidar o interlocutor a partilhar daquele mundo esboçado ou insinuado que revela hoje um Zimmermann mais holístico, aberto a realidades que podem ir das preocupações com a física quântica às cogitações metafísicas.
Carlos Eduardo Zimmermann só entende espaços e visões compartilhados. É uma escola de solidariedade que ele acredita ser a melhor saída para um mundo que ainda não entende “que é o amor, e não a vida, o contrário da morte“. E que “é o medo, e não a morte, o contrário da vida“.
Em seu estúdio, o artista fica a captar o jogo de claros e escuros, de uma tarde cheia de nuvens. Uma tarde de Curitiba, cidade com a qual mantém uma relação de respeito, paixão e, muitas vezes, de perplexidade.
Uma perplexidade que pode ter seus fundamentos numa herança cultural de que ele mesmo é legatário. O que pode até explicar o fascínio pelo hiper-real, pontilhando uma técnica perfeccionista que, no fundo, é solidamente curitibana.
Aroldo Murá G. Haygert, jornalista


