
Tony Garcia ganhou, quando deputado estadual, o apelido de “Tony Fuxico”.
Tudo porque falar muito, muitas vezes sem medir consequências, fuxicar – essas seriam das qualidades mais visíveis no parlamentar de vida curta na política formal.
Mas ele sempre esteve envolvido no mundo da política, mesmo que informalmente.
UM GALÃ
Na verdade, ao vir de São Paulo, o moço pobre Antonio Celso Garcia (Tony) era um raro exemplar de galã. Não exibia dotes culturais; os físicos super-abundavam.
Não poucas donzelas suspiravam por suas atenções. Uma delas foi a escolhida, com ela o galã casou. Era filha do então poderosíssimo Ney Braga, o verdadeiro modernizador do Paraná, por duas vezes governador do Estado, e ministro de Estado.
No entanto, quando Ney Braga assumiu a Diretoria Geral de Itaipu, anos 1980, que Toni Garcia fez fortuna. Legalmente, esclareça-se de saída.
INSERVÍVEIS DE ITAIPU
Tudo começou a mudar em sua vida quando Toni conseguiu o direito de negociar com terceiros os chamados “inservíveis” da Binacional, em valores que poderiam andar – em dinheiro atualizado – em centenas de milhões de reais.
Os inservíveis eram isso mesmo: carros, móveis, equipamentos, sucatas em geral, até imóveis.
Depois, Tony separou-se da filha de Ney e foi viver seu destino “sem amarras”, como me define um amigo dele.
IMBRÓGLIOS
Datam desses dias os imbróglios em que se envolveu. O mais saltante deles a candidatura ao Senado, coordenada por Jamil Snege, trabalho de mestre que transformou Garcia numa espécie de herói e salvador da pátria. Fez muitos votos, quase se elegeu. Quase.
Agradecido, deu ao “turco” Jamil um carro, já que Snege não aceitara pagamentos por sua maestria.
CONSÓRCIO GARIBALDI
O imbróglio maior viria depois, com a criação – entre outros negócios –do Consórcio Garibaldi. O negócio quebrou, deixou enormes dívidas na praça; Toni, foi também apontado, em seguida, em investigações sobre falcatruas no Banestado. Acabou condenado pelo juiz Sergio Moro.
No caso da Banestado, Tony Garcia fez o que sabe fazer muito bem: safou-se do pepino, cumpriu poucos meses de cadeia. O “milagre” foi simples: Tony inaugurou no Paraná o estatuto da delação premiada. Assim, foi contemplado pelas bênçãos de Moro.
