
Poucos, só os mais velhos e os nem tanto – mas que têm boa memória da vida cultural paranaense- sabem quem foi Odelair Rodrigues e o papel que ela teve no teatro paranaense no século 20.
Eu diria que ela foi uma campeã em quase tudo em que se envolveu: negra, era um certo “epifenômeno” no teatro paranaense dos anos 1960/70, quando atingiu o apogeu numa carreira de altos e baixos. Naqueles dias havia poucos negros nos palcos curitibanos.
De negros como Odelair, poucos artistas importantes tínhamos. Um deles, o cantor e compositor Palminor Rodrigues, o Lápis, cuja carreira foi valorizada a partir do primeiro governo Jaime Lerner.
COM ARY FONTOURA
Os altos de Odelair ficaram por conta de momentos vividos com o ator Ary Fontoura (ao lado de quem chegou a dividir apartamento no Rio, em meados dos 1960); em Curitiba, pioneira da televisão, foi parte da “Família do Dr.Pomposo”, um engraçadíssimo personagem vivido por Fontoura na antiga TV Paraná, Canal 6, então dos Diários Associados.
Odelair não teve dificuldades em garantir o sucesso da “família”, ao lado também do Juarez Machado, que depois ganharia o mundo como artista plástico.
NO TEATRO DE BOLSO
Momentos mágicos de Odelair – acredito -, foram os seus trabalhos no Teatro de Bolso, na Praça Ruy Barbosa, espaço cultural “sumido” em face das mudanças urbanas. Lá ela viveu grandes momentos, em comédias escritas e dirigidas por Cícero Camargo de Oliveira, e por Ary Fontoura.
AGORA EM LIVRO
Odelair volta à baila porque de 10 a 27 deste mês, o Teatro Ênio Carvalho promove a primeira mostra de repertório do seu grupo de teatro e pesquisa, o TEC. O 1º Festival do TEC contará com apresentações de três espetáculos – “O Homem da Flor na Boca”, “Leocádio – A Vida Continua” e A Barca” –, além do lançamento do livro “Odelair Rodrigues”, biografia da atriz paranaense, assinada pelos jornalistas José Carlos Corrêa Leite e Rosirene Gemae (in memoriam), e da abertura da “Tudo TECa”, biblioteca com acervo de livros e DVDs relacionados ao teatro paranaense.
ESCOLHA O NOME
Também durante o Festival será realizada uma enquete para definir o nome do principal palco do teatro, que vai homenagear um nome forte das Artes cênicas paranaenses. O público que assistir às apresentações vai escolher entre Claudete Pereira Jorge, Mauricio Távora, Paulo Fribe e Marcelo Marchioro, ou um outro artista do teatro paranaense não listado e que receba indicação expressiva.
O Home da flor na boca: De 10 a 13 de maio de 18.
Leocádio, a vida continua. De 17 a 20 de maio.
A Barca. De 24 a 27 de Maio.
Lançamento do Livro: Odelair Rodrigues. Dia 11/05, das 18h30 às 20h.
Entrada franca.
Masterclass Ana Cascardo: Dia 12/05 das 10 às 18h. Investimento: R$ 150,00. Inscrições pelo e-mail – teatroeniocarvalho@falec.br
