
Quem ainda imagina que o mundo evangélico brasileiro é “um só coração”, com unidade absoluta em matéria de fé e de pensamento político, ou de defesa de costumes, está redondamente engano.
Essa unidade dos evangélicos até podia ser parcialmente identificada na história das igrejas, no começo, quando os chamados “crentes” passaram a ter visibilidade.
IGREJAS ÉTNICAS
Primeiro, estavam além de igrejas étnicas – como a Sinodal Luterana, que acolhia basicamente alemães e seus descendentes; e centrados também entre presbiterianos, a partir do século 19, e Assembleia de Deus, no começo do século 20. Mesmo assim, já se identificavam inúmeras diferenças entre as duas denominações, a começar pelo batismo. E também em costumes: cabelo comprido das mulheres, e vestidos longos, por exemplo, então obrigatórios na Assembleia.
CADA CABEÇA…
Hoje a variedade e multiplicidade das chamadas igrejas evangélicas causam ainda muitas dificuldades para se entender essa suposta unidade.
Por exemplo, a Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, que ficou conhecida pelo combate ao homossexualismo e aos cultos afro brasileiros, é controladora do PRB, partido que cresce em todo o Brasil. Dele é o prefeito do Rio, Marcello Crivella.
DIVERSIDADE SEXUAL
O PRB, como “prova” de abertura, tem entre seus filiados no Rio o Coordenador da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, que trata, pois, das questões de apoio a gays, lésbicas e bissexuais.
Nélio Giorgini, o nome do moço coordenador, pertence ao PRB carioca e é membro de uma igreja presbiteriana da cidade.
MUDA PERFIL NO PR
No Paraná, o mesmo PRB – controlado pela Universal -, que tem entre seus membros o presidente da FIEP, Edson Campagnolo, abriu suas portas a um ex-pedetista outrora fortemente apoiado por Gleisi Hoffmann e Lula, Professor Luizão. Ele embarca no partido da Universal com um currículo eleitoral precioso, com resultados impressionantes de aceitação (mais de 90º%) de votos em suas duas eleições para a prefeitura de Pinhais.
Luizão, de formação católica, tendo sido seminarista na mocidade, é pule de dez no projeto de eleger-se deputado federal.
PLATEIA INFLADA
Na Folha de São Paulo desta quarta, 4, matéria de página inteira garante que as plateias nos cinemas para o filme “Nada a Perder”, sobre a vida de Edir Macedo, ‘estão infladas’. Fotografias mostram sessões vazias, enquanto supostas estatísticas indicam que o filme ser um “blockbuster”.
Pode ser milagre, gente.
