
Por muito tempo, e com tal zelo, a imprensa reclamou a população nas ruas. No caso mais estrondoso, na votação que daria continuidade ao processo contra Michel Temer, que não motivou nem os mais aparvalhados agentes da intervenção militar a botar a cara para fora.
“EXÉRCITO, MOBILIZE-SE!”
Pois, na quarta (28), eles estavam em Curitiba, transitando com um grande ônibus preto e branco, com letras “gritando” a mobilização do Exército para que se resolva a questiúncula democrática no país. O lado cômico é que a voz do locutor era rouca, grave e lembrava a de Lula.
Houve quem se confundisse.
CORPO TRIDIMENSIONAL
A esquerda certamente está incomodada. Não com o abestalhado que disparou dois ou três tiros contra a caravana do ex-presidente, mas com a presença da chamada “direita” nas ruas. É um acontecimento, que ultrapassa os limites das manifestações pontuais, contra o aumento da passagem de ônibus e pelo impeachment de Dilma, e ganha contornos políticos bem definidos. É uma reação que transborda as redes sociais e ganha corpo tridimensional.
VOZ DISSONANTE
O PT não havia experimentado a oposição nas ruas, porque, afinal, foi o partido que sempre encarnou esse papel, uníssono, exclusivo. Desde a redemocratização, ao menos, não havia voz dissonante. Agora há. E é isso que assombra a esquerda.
ANTROPOMORFISMO EM VOGA
Esqueça os argumentos de que as manifestações contrárias à Caravana de Lula, no Sul, dão munição ao PT para que legitime a candidatura do ex-presidente. Ora, se a lei assim entender, assim será. A novidade está na reação. Não essa sub-reptícia que dispara tiros ou arma “miguelitos” na estrada, mas a que se manifesta sem temer o carimbo de “direita reacionária”.
MAIS IMPORTANTE
Porque quem não é a favor, é contra e as identidades sexuais, políticas, religiosas, etc., nos novos tempos, são a coisa mais importante do mundo. Daí esse antropomorfismo em voga. As pessoas preferem transformar seus cãezinhos em gente, com todos os mimos humanos a que tem direito, do que confrontar aquele que diz “coisas reacionárias”, “ofensivas”. Cachorros não falam. Bem, os esquizofrênicos podem discordar.
“NÓS” E “ELES”
A política vai ganhar contornos semelhantes nas eleições deste ano e não é preciso definir a direita como xucra ou a esquerda como mortadela para reduzir o conflito a uma guerra de extremos. Isso é fruto, em parte, do discurso que ganhou corpo na era petista. Ou não se trata, como diz Lula, da guerra entre “nós” e “eles”? Eles, os maus. Nós, os bons. O faroeste caboclo está posto há muito tempo.

RIAM DE SI
É uma tendência? Não. O que se espera, ao longo dos meses, é o registro de uma confluência de votos à esquerda e à direita para o centro, como é natural em qualquer pleito. O alemão Thomas Hobbes, autor de “Leviatã”, já dizia, no século XVII, que o homem tende à paz, mas que não está alheio à guerra. O que a esquerda está vendo, portanto, é a novidade da reação. Alguém que entrou numa reunião de ativistas das minorias e contou uma piada racista. Os judeus diriam: “riam de si”. Mas os ativistas são sisudos demais para entender a piada.
‘SÃO’ GARRASTAZU MÉDICI
O que a direita faz, e nisso anda fazendo bem, é desafinar o coro dos contentes, e por contente entenda a festa da distribuição de cargos e benesses desde que todos partilhem do mesmo ideário.
O sem número de acordos bilaterais com republiquetas de bananas, sob a égide do socialismo e outros quitutes já conhecidos. Agora não mais. A turba é pequena? É. É barulhenta, é? Tem ideias que fogem à razoabilidade? Tem. Mas o seu direito democrático está assegurado.
Inclusive aos que rezam todo dia para ‘São’ Garrastazu Médici. E lhe acendem uma velinha.
