
Beto Richa prometeu nesta semana anunciar sua decisão: ou fica no governo ou renuncia para disputar uma das duas vagas ao Senado em outubro.
Eu, de minha parte, nunca tive dúvidas: é candidato ao Senado. Foram inúmeros os sinais que foi lançando ao longo do tempo. Um dos mais claros: um de seus filhos e seu irmão Pepe estão em plena campanha para a AL e a Câmara dos Deputados.
VITRINE DA POLÍTICA
Richa será candidato ao Senado não porque fantasmas rondam o Palácio Iguaçu, mas para permanecer na vitrine da política. Ele mesmo afirmou à reportagem da CBN, na semana passada: ou a candidatura ou a aposentadoria. E ele ainda sonha com um ministério em um governo de bico longo e asas coloridas.
A FAMÍLIA RICHA
Há outra questão. E ela passa pelo ambiente familiar. Se Richa permanecer no governo, seu irmão Pepe e seu filho Marcello não poderão disputar a Câmara Federal. Se concorrer ao Senado, o caminho está livre para que todos batam asas rumo ao Planalto Central. As chances de que os Richa invadam Brasília em 2019, aliás, são grandes. Tanto na Câmara alta quanto na baixa.
SÓ ALVARO
Desde que as eleições diretas foram devolvidas a quem de direito, em 1982, apenas o governador Alvaro Dias (1986-1990) cumpriu o mandato, abrindo mão da candidatura ao Senado – a reeleição ao governo ainda não estava prevista.
ROCINANTE E DOROTEIA
Richa não é um Dom Quixote, não arremete contra os moinhos de vento em meio à paisagem de trigais, não fez da aldeã maltrapilha Doroteia sua musa, nem se faz zombar por Rocinante, o cavalo de estábulo transformado em alazão.
AGORA ESTADISTA
Depois de um mandato e 1/4 à frente da prefeitura de Curitiba e de outros dois no Palácio Iguaçu, ele parece pronto para assentar-se no cargo de senador e desfrutar da fama de estadista respeitável.
QUASE-GOVERNADORA
Dos que ficam, a vice Cida Borghetti sai-se garbosamente bem.
O que era antes uma candidatura improvável ou frágil ganha agora contornos de favoritismo. Com as muitas esperas (parece que agora terminaram) de Osmar Dias (PDT), a rejeição na capital de Ratinho Jr. (PSD), que tenta imprimir, em vão, o nome Carlos Massa em sua campanha e os chamados candidatos de sempre (Requião entre eles), as “portas da esperança” parecem se abrir para Cida.
Inclua-se no rol de reforços da quase-governadora o marido Ricardo Barros, que deixa o ministério da Saúde antecipadamente para tentar assumir a presidência da Comissão Mista de Orçamento no Congresso e ainda trabalhar com afinco pela reeleição da mulher.
‘EMPODERADA’
O que era improvável ganha, cada dia, melhores contornos.
Se lembrarmos que Cida é mulher e que viveu um espetáculo triste de ataque de radicais de esquerda no casamento da filha, no ano passado; a predisposição solidária e aquela palavrinha que só deve ser dita entre parênteses para não causar comoções (empoderamento) podem ajudá-la em muito a garantir a permanência no cargo de governadora. Desta vez para valer.
