quarta-feira, 13 maio, 2026
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ALERTA: MICROPARTÍCULAS DE PLÁSTICO ESTÃO EM GARRAFAS DE ÁGUA MINERAL

Garrafa de Minalba: uma brasileira na lista
Garrafa de Minalba: uma brasileira na lista

Pesquisa sobre a disseminação e impacto de micropartículas de plástico em garrafas de água alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS). O órgão vai iniciar uma análise sobre os potenciais riscos da presença do material nas embalagens. Não se trata de uma novidade. Há mais de cinco anos, cientistas de laboratórios independentes, vêm alertando para o problema. Não há evidências de que microplásticos podem afetar a saúde humana, mas a OMS quer avaliar o quanto realmente se sabe sobre isso.

NOVE PAÍSES DIFERENTES, CINCO CONTINENTES

Realizada na Universidade Estadual de Nova York e liderado pela Orb Media, organização jornalística sem fins lucrativos, a pesquisa submeteu a teste de laboratório garrafas compradas em nove países diferentes, de cinco continentes, entre os quais o Brasil, e descobriu uma média de dez partículas de plástico por litro, cada uma maior do que a espessura de um fio de cabelo.

TODAS AS MARCAS

Os números não foram considerados catastróficos, mas são preocupantes uma vez que foram encontradas micropartículas de plástico em todas as garrafas e marcas.

SEM PADRÃO PARA TESTES

As empresas avaliadas afirmam que seus produtos atendem aos mais altos padrões de segurança e de qualidade. E dizem que falta regulamentação sobre microplásticos e que não há métodos padronizados para testes. Para os pesquisadores, é preciso agora responder se os microplásticos podem ser prejudiciais à saúde.

CORPO EM RISCO

“Algumas dessas partículas são tão incrivelmente pequenas que podem atravessar o revestimento do trato gastrointestinal e serem levadas para todo o corpo, e não sabemos as implicações que terão nos órgãos e tecidos”, disse Sharon Mason, professora de química da Universidade de Nova York.

ANÁLISE NO PARANÁ

No Paraná, técnicos da Sanepar fizeram uma avaliação inicial da presença de microplásticos em galões de 20 litros de água mineral. Há evidências que eles estão presentes em quantidades expressivas, mas não se pode presumir que essa análise seja indicativa de um prejuízo ao organismo de quem a ingere.

300 BILHÕES DE LITROS

Atualmente são produzidos, no mundo, 300 bilhões de litros de água engarrafada. Mas o problema não é o líquido e sim o plástico. Também saem das fábricas, em quantidade não contabilizada, garrafas de refrigerantes, de sucos, de chás, de iogurte, de isotônicos, de achocolatados. Todas elas com uma característica: são fechadas com tampas com alta quantidade de polipropileno. Uma teoria com razoável concordância é a de que o ato de abrir uma garrafa gera porosidade e pode derramar as partículas dentro do vasilhame antes que o líquido seja ingerido.

O RETORNO DO VIDRO

Um dos gerentes de uma empresa de envasamento de água ouvido pela reportagem afirmou, na condição de manter-se anônimo, que há um estudo em andamento na indústria para encontrar formas alternativas, que não o plástico, para fazer chegar a água mineral ao consumidor. Todas, no entanto, encarecem o preço final do produto. O vidro, por exemplo, já está sendo testado, mas interfere em hábitos que se perderam ao longo do tempo, como o uso da embalagem retornável.

‘TORNEIRAL’

Uma campanha que pode ser abraçada pela Sanepar, mas que ainda carece de análises mais aprofundadas, trata de incentivar o consumidor a voltar a beber água da torneira. Os dados estão a favor da companhia. Há 50 anos, a água distribuída à população no Paraná é fluoretada e livre de qualquer contaminação. O processo começou em 1958 na Estação de Tratamento de Água do Tarumã, em Curitiba, e até hoje é considerado o método coletivo mais eficiente para o controle e prevenção de cárie dentária, em um primeiro momento, e de outras doenças transmissíveis pela água, em outras etapas. A obrigatoriedade da fluoretação das águas de abastecimento em todo o território brasileiro só veio 16 anos depois, com a lei federal 6050 de 24 de maio de 1974.

FÓRUM MUNDIAL DA ÁGUA

Forum Mundial da Água em Brasília (Foto: André Borges/Agência Brasília)
Forum Mundial da Água em Brasília (Foto: André Borges/Agência Brasília)

Evidentemente que isso não livra a água tratada das micropartículas de plástico. A oitava edição do Fórum Mundial da Água, aberta no domingo (18), em Brasília, apontou que, enquanto a China utiliza dez vezes mais água por unidade de produção do que a média dos países ricos, no Brasil, que detém 12% da água doce do mundo, os rios funcionam como cesto de lixo. Rio Belém, Rio Tietê, Rio Barigui, Lagoa Rodrigo de Freitas, escolha um deles. É o descalabro visto em duas realidades.

TOXINA NAS PARTÍCULAS?

Para a OMS, a preocupação principal não é a quantidade de microplásticos na água, mas o fato de que sua ingestão ao longo da vida possa ter algum efeito nocivo à saúde das pessoas. Bruce Gordon, coordenador do trabalho global do órgão, preocupa-se com a possibilidade de haver toxinas nas partículas, mas lembra que não há pesquisa que possa responder ou elucidar de forma cabal essa questão. “Geralmente temos um limite ‘seguro’, mas para definir isso precisamos entender se essas coisas são perigosas e em quais concentrações são perigosas”, afirmou ele em entrevista à BBC.

UMA BRASILEIRA NA LISTA

A pesquisa com água engarrafada envolveu a compra de embalagens de 11 marcas globais e de países escolhidos por suas grandes populações ou seu consumo relativamente alto de água engarrafada. As marcas: Aquafina, Aqua, Bisleri, Dasani (coca-cola), Epura, Evian, Gerolsteiner, Minalba (Rio de Janeiro), Nestlé Pure Life, San Pellegrino e Wahaha.

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