
Dizer que foi uma reunião de reverência ao grande tuchauá (cacique) é pouco. Na verdade, a festa que as filhas e amigos mais próximos de Jaime Lerner e o pessoal Instituto Jaime Lerner montaram na terça, 19, foi um gesto histórico de reconhecimento ao singular urbanista, o paranaense de maior expressão internacional que a História já registrou.
O endereço da Rua Bom Jesus, 76, “transpirava” alegrias.
Quem conheceu Curitiba antes de Lerner e agora contempla as “salvaguardas” com que ele foi presenteando a cidade, a partir dos 1970, tem certeza que homenagens nunca serão demais para esse curitibano sem paralelo.
FOTOGRAFANDO
Parte do que presenciei, e pedi que o fotógrafo Leonardo Lima registrasse, encaro como documento para a posteridade. Precioso, único.
Foi completado, a partir das 18h30 min pelo trabalho do homem de cinema e publicidade Carlos Deiró, um dos mais próximos companheiros de Lerner.
Novo documentário de Deiró sobre JL? É possível.
JOÃO ELÍSIO
Sensibilizou-me a expressão de afetividade de gerações em torno do urbanista. O abraço de João Elísio Ferraz de Campos (pouco mais moço que JL) dado a Lerner foi, por exemplo, dos mais significativos momentos captados pela fotografia e por nossa retina. Os dois homens públicos, “não mais crianças” – para dizer o mínimo, como me assoprou um jovem arquiteto, resumiam, no gesto, uma trajetória de considerações e amizade.
O DISCURSO
O curto “speech” de Jaime, sentado ao piano, foi emocionante, para dizer o mínimo. Pensei, certa hora, que ele iria às lágrimas. Mas foi objetivo, agradeceu por ter chegado aos 80 ao lado de seus familiares e daqueles amigos ali presentes. Citou as filhas, os netos, irmãos e irmãs, cunhado como parte de sua caminhada de vida.
Estimulado pelo clima de festa e aplausos, garantiu que, com o mesmo vigor, pretende comemorar os 90 anos de vida.
Eu, quando o abracei, disse: “Stolat”, o “que viva cem anos”, a saudação dos poloneses aos aniversariantes.
MUITAS DORES
Sério (talvez como decorrência das dores do ciático), teve momentos de “sense of humor” – qualidade nele muito aguçada. Citou poucos amigos. Um deles, Carlos Eduardo Ceneviva, urbanista paradigmático que o acompanhou a vida toda, e lá presente. “Ainda vou jogar basquete com o Ceneviva”.
Referiu-se também a Abrão Assad, outro arquiteto que está ligado aos primórdios da revolução urbana que Lerner implantou na Cidade, e Osvaldo Navarro, amigo, colega de profissão, companheiro de muitas jornadas. A dupla esteve presente a acompanhar Lerner ao piano e à neta Sophie.
Assad na gaita de boca; Navarro no clarinete.
SAUL RAIZ
Uma palavra com forte carga de carinho Lerner dirigiu a três amigos lá presentes – Saul Raiz, Maurício Schulman e Salomão Soifer. Disse que deles nunca recebeu qualquer pedido de atenções especiais enquanto prefeito ou governador do Paraná.
Meu olhar foi registrando, dentre os presentes, alguns nomes: o jornalista Luiz Júlio Zaruch, que foi o assessor de imprensa de Lerner, quando ele assumiu a Prefeitura pela primeira vez; Cláudio Loureiro, sempre festejado como um dos ases nacionais da propaganda, para quem tudo “vai muito bem, apesar da torcida dos contrários”, disse-me; Henrique e Clarita Naigeboren, irmã e cunhado de JL, casal sempre espalhando simpatia e acolhimento; os irmãos Roberto e José Maria Gandolfi, arquitetos da mesma geração de Lerner e fortemente identificados com a cidade e com a vida acadêmica; Manoel Isidro Coelho, o designer e arquiteto que tem sua assinatura em grandes marcas da cidade, como o campus PUC-PR-Rebouças, e campus da Universidade Positivo. E que agora assina o projeto da nova sede da Fecomércio.
SERGIO REIS
E mais: Sergio Silbert Reis, vivendo o ócio com a dignidade do dever cumprido, depois de ter sido um dos responsáveis pelo “Bicho do Paraná” e outras peças que ajudaram a mudar nosso ânimo paranista (para melhor); Valéria Bechara, ativíssima nas atenções aos convidados, ela que é peça chave do Instituto Jaime Lerner; Cláudia P. Franco de Carvalho e sua mãe, Rosa Maria Franco de Carvalho, inseparáveis da vida dos Lerner. Rosa foi chefe de gabinete e grande amiga de Fanni Lerner.
Dos primeiros a chegar para a celebração foram Clarisse Brick e Maurício Brick, do melhor universo afetivo de Lerner. E outras centenas mais.
Acompanhe momentos da data, nas fotos de Leonardo Lima:










