terça-feira, 12 maio, 2026
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O BRASIL NÃO PRECISA DE HERÓIS, MAS FACHIN É SUPER

Edson Fachin: um super-herói no STF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Edson Fachin: um super-herói no STF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Coube ao ministro Luiz Edson Fachin, um paranaense por adoção, determinar que o deputado federal Paulo Maluf começasse a cumprir imediatamente a pena de 7 anos, 9 meses e dez dias em regime fechado.

Fachin alegou que os recursos tinham caráter meramente protelatório, ou seja, a defesa não negava as acusações.

MALUF, O TEATRAL

As imagens captadas pelas câmeras desde o início da manhã de ontem (20) não deixam dúvida. Maluf embarcou no carro sem precisar de ajuda. Quando chegou à sede da PF, em São Paulo, contudo, precisou ser amparado por três policiais e completou o caminho com o corpo arqueado apoiado em uma muleta. Teatral.

O TRISTE FALSO

Lembrou Roger Abdelmassih. O ex-médico, condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de dezenas de pacientes, costumava receber visitas na prisão em cadeira de rodas e acabrunhado. Depois saía caminhando desenvolto pelos corredores.

FOI PARA CASA

Abdelmassih tem 74 anos, doze a menos do que Maluf e, ainda assim, o ministro Ricardo Lewandowski, par de Fachin no STF, julgou que ele merecia prisão domiciliar.

TRÊS BILHÕES

O histórico de Maluf transborda e Fachin sabe disso. Em contas no exterior há mais de 3 bilhões de reais depositados. As provas são contundentes, mas a Justiça se arrasta. Ou se arrastava.

BRECHT VIROU BRECHA

“Pobre do país que precisa de heróis”, escreveu Bertold Brecht. Da tribuna, o deputado carioca, cujo nome é um vazio a preencher uma lacuna, o chamou Bertoldo Brecha, o personagem do humorista Chico Anysio. Afinal, foi didático. Mostrou que os medíocres nascem, procriam e, quando incriminados, se cercam das melhores bancas de advogados.

ESTADO DE COISAS

Paulo Maluf: memória da impunidade (Reuters/Leonardo Benassatto)
Paulo Maluf: memória da impunidade (Reuters/Leonardo Benassatto)

O ministro Edson Fachin parece contrapor-se a esse estado de coisas. Já foi voto vencido em várias ocasiões no pleno do STF por conta de suas posições duras e inflexíveis. Segue a mesma toada. Na quarta-feira, quando tudo rumava novamente para o banho morno, determinou a prisão de Paulo Maluf por motivos que podem ser banais para seus pares, mas são gravíssimos ao seu próprio juízo.

CASAMENTO GAY

A aprovação da indicação de Fachin custou uma longa sabatina de 12 horas no Congresso. Ele foi acusado de defender a desapropriação de terras improdutivas para fins de reforma agrária e apoiar o casamento gay, prática hoje disseminada em todos os estados laicos.

CALDEIRÃO DA DEMOCRACIA

Ele nem deveria dar bola, mas deu. Argumentou, lastreou-se e conjurou as leis. No início desse ano, ao substituir o falecido Teori Zavascki na relatoria da Lava-Jato do STF, obedeceu àquilo que o colega prescrevia:

Não transigir jamais diante dos fatos. Por isso sua divergência frequente com ministros acostumados a ferver, no caldeirão da democracia, condimentos políticos que não combinam com a constituição em vigor.

ALA PARA IDOSOS

Fachin é considerado um ministro de trato fácil, mas não quando está em pauta o encarceramento de políticos ou empresários da alta cúpula. Paulo Maluf está na cadeia. Agora rumo à Papuda, em Brasília, onde há uma ala para idosos. Não é a primeira vez. Ele já escreveu suas memórias do cárcere por 40 dias, em 2005.

ELE FEZ

Ao tomar conhecimento da decisão do ministro, um promotor do Ministério Público Federal comemorou. Espera repatriar 96 milhões de dólares que estão depositados nas Ilhas Jersey para desfrute de Maluf e de seus familiares.

“Roubou, fez e… enfim foi preso”, diz.

O super Fachin tem uma “parcela” de culpa nisso.

 Ilha Jersey
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