terça-feira, 12 maio, 2026
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ESTIGMATIZADA POR DÉCADAS, CACHAÇA MOVIMENTA R$ 1 BILHÃO

96-cachaça-variasA cachaça é hoje a segunda bebida alcoólica mais consumida no mercado interno. Perde apenas para a cerveja, que é fermentada. Reconhecida como tipicamente brasileira, se tornou aposta do setor de destilados. Segundo dados da PBDAC (Programa de Desenvolvimento de Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça), o Brasil movimenta cerca de R$ 1 bilhão na comercialização de 1,3 bilhão de litros por ano. Com todo esse potencial, produzir cachaça ou aguardente, principalmente de maneira artesanal, é uma maneira de investir “num negócio com grandes possibilidades de crescimento”, dizem observadores do mercado.

COMO É FEITA

A cachaça é produzida do caldo de cana fresco (garapa) o que resulta em uma composição química própria e traz distintas propriedades sensoriais.

Ao cozinhar o caldo da cana as substâncias presentes no produto, como os aldeídos, ésteres e o álcool superior, são alterados modificando o sabor sensorial da bebida no paladar.

AGORA, SOFISTICADA

Antes estigmatizada, a bebida assumiu o status de produto sofisticado, graças a investimentos em marketing e na diversificação da produção.

Devido à expansão mercadológica, a cachaça pode ser encontrada nos mais diversos tipos de bares, restaurantes, hotéis e casas noturnas de todo o país.

SEM MORALISMOS

Essas informações chegam à coluna por competente empresa de comunicação.

Os dados são relevantes para se entender o produto e sua presença na montagem do PIB.

Por trás de toda essa realidade, vozes médicas não deixam de advertir sempre sobre os males do álcool:

“O álcool em geral, assim como o tabaco, foram sendo até meio idilizados pelos meios de comunicação. Por trás disso existe toda uma construção do marketing que garante às drogas chamadas de lícitas espaço definitivo na vida do país”, adverte J. Maxwell Perkins Santos, 79 anos, médico aposentado de SP, cuja vida foi pautada pela defesa da temperança.

A verdade é que o álcool, sem nenhuma dificuldade – fermentado ou destilado – estará quase sempre na raiz dos altos índices de criminalidade. Isto no Brasil ou no mundo.

TEMPERANÇA

O curioso é que as igrejas evangélicas chamadas do “período de missão”, que foram chegando ao Brasil sobretudo a partir do começo do final do século 19, caracterizavam-se por forte recusa ao álcool. Algumas chegavam a excluir de seus róis de membros os que “caíssem no pecado do álcool”. O mesmo anátema essas denominações faziam cair sobre os fumantes.

TEMPOS & COSTUMES

Hoje as coisas mudaram: algumas pentecostais, como as Assembleias de Deus – mantêm-se fiéis a essas exclusões, assim como a Congregação Cristã do Brasil, o pequeno Exército da Salvação. Outras, como a Episcopal-Anglicana e as presbiterianas e metodistas não mais estão entre as que colocam o álcool como possível justificativa para expulsão de membros de suas greis.

ADVENTISTAS & CATÓLICOS

A Igreja Adventista do Sétimo Dia, iniciada no século 19 nos Estados Unidos e hoje com forte presença no mundo – especialmente no Brasil – mantém-se integralmente pró-temperança: seus membros não devem fumar ou beber álcool.

Mais do que uma visão moralista, trata-se de defesa – dizem – de preceito bíblico sobre o corpo humano “como templo do Espírito”.

Na Igreja católica o que se observa, nos últimos anos, no Brasil, é o do surgimento de movimentos pró-temperança: ensina a comunidade a recusar o álcool, por ser danoso à saúde.

Um dos resultados já conseguidos (lentos, ainda) é a exclusão da venda de bebidas alcoólicas nas tradicionais festas de igreja.

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