terça-feira, 12 maio, 2026
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KÁTIA DOS ANIMAIS DE RUA: QUASE NA RUA

Kátia e os bichos de rua?
Kátia e os bichos de rua?

A vereadora Kátia Dittrich, a dos Animais de Rua, está a um passo da cassação na Câmara Municipal de Curitiba. O crime ganhou um tom “quase folclórico” no legislativo: apossar-se de parte dos vencimentos dos funcionários. Faz algum tempo o ex-vereador Custódio da Silva teve o mesmo fim, acusado que foi pelo Ministério Público do Paraná, quando este se dedicava ou cometia lapsos de zelo na fiscalização dos salários a quem de direito.

EXPULSA

Kátia deveria ter sido julgada pelo plenário na sessão de quarta-feira (13), mas uma liminar suspendeu a sessão. A acusação é tão grave que o partido pelo qual ela foi eleita, o Solidariedade, expulsou-a no início do mês passado.

DEVOLUÇÃO CARIMBADA

O carinho e a acolhida de Kátia aos vira-latas não se estenderam ao seu gabinete. Lá, ela exigia comprovantes bancários de depósito de seus funcionários com a devolução carimbada de parte do pagamento. A justificativa, segundo ela e segundo seu marido, que atuava como gerente de contas, é a de que o dinheiro seria destinado à manutenção do programa de assistência aos bichos e ao mandato parlamentar, não necessariamente nessa ordem.

O NOME É “BOLA

A apropriação de salário alheio, que tem nome e artigo no Código Penal brasileiro – chama-se peculato – é tão comum no legislativo que ganhou o nome de “bola”. Trata-se de termo usurpado da gíria da malandragem que significa “comissão”. Ao tempo do cheque ao portador, o funcionário, ao receber o aviso de pagamento, sacava o talão e preenchia valor pré-estipulado sem identificar o beneficiário. Quando esse tipo de prática foi proibido, adotou-se a transferência eletrônica para uma conta indicada pelo vereador. Geralmente um membro da família.

ACHAQUE

Kátia é acusada de achacar os servidores e exigir a contrapartida para que ela os mantivesse nos cargos. Nada novidadeiro. Aos menos cinco ex-funcionários assinaram a denúncia.

DEZ COMISSIONADOS

Um vereador tem direito a contratar até dez comissionados em seu gabinete com salários escalonados. Alguns deles, não trabalham na Câmara. São deslocados para escritórios políticos alocados geralmente na base eleitoral do parlamentar em bairros de Curitiba. Kátia, que é formada em Odontologia pela PUC-PR, ganhou notoriedade pelo seu ativismo em defesa dos cachorros abandonados. Ela comanda uma ONG que cuida de centenas de animais.

ZÉ MARIA, O HABITUÉ

Seu destino, se selado pelo parlamento municipal, tira-lhe o mandato no primeiro ano legislativo, e o transfere ao ex-vereador Zé Maria, um habitué da Câmara que não repetiu desempenho anterior nas urnas e ficou com a primeira suplência.

NÃO SERÁ A ÚLTIMA

Quem sabe o caso de Kátia anime o Ministério Público do Paraná a voltar a investigar o fluxo do dinheiro que passeia nas contas após a data de pagamento. A vereadora não é a primeira. Não será a última. Esse mal afetaria outras áreas da administração pública paranaense, segundo me garantem leitores, que pedem anonimato.

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