
O parlamentarismo que o Brasil rejeitou em plebiscito em 1993 e, que três décadas antes, com a posse de Jango, havia experimentado e cuspido, volta à cena. Agora sob a roupagem de semipresidencialismo. Ou mezzo mussarela mezzo calabresa.
OBRA DE TEMER
Não dá para levar a sério. A proposta parte do presidente Michel Temer, com pitadas de apoio do ministro Gilmar Mendes, ora presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O que se quer é um misto de conveniência e oportunismo. No parlamentarismo, o primeiro-ministro, nomeado pelo presidente ou indicado pelo legislativo, é chefe de governo. Cabe a ele montar o gabinete e gerenciar o país. O chefe de estado – presidente ou monarca – é uma peça figurativa. Está escudado das aflições do poder.
O QUE É BOM A GENTE FATURA
Já no semipresidencialismo as atribuições de governo são divididas. Ao presidente cabe, por exemplo, papel importante na política externa e nas Forças Armadas. No caso do Brasil, não seria surpresa se o semipresidente metesse a colher também em outros setores como a nomeação de diretorias de estatais e os programas sociais de maior envergadura. É quase como incorporar a frase do ex-ministro Rubens Ricupero: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde”.
NÓ GÓRDIO
Por mais cordial e crédulo seja o brasileiro, é difícil acreditar que a proposta semipresidencial para um semipaís como o Brasil seja a panaceia, quando o nó górdio da rejeição está no Legislativo, exatamente o poder que, em tese, governará o país.
ARQUIVO MORTO
É mais uma das fantasias pré-carnavalescas que Michel Temer apresenta ao público e Gilmar Mendes endossa com todo o gingado e a malemolência que ambos não têm. Segue para o arquivo morto em breve. Acredite.
