segunda-feira, 11 maio, 2026
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VIANNA “CONQUISTA” QUADROS DE ITAIPU PARA GRADES MUDANÇAS

Diretor geral Luiz Fernando Vianna: encontro mensal com funcionários
Diretor geral Luiz Fernando Vianna: encontro mensal com funcionários

De uma coisa, já se tinha certeza: as habilidades de gestor e o conhecimento técnico do novo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz Fernando Leone Vianna. Essas qualidades sempre o identificaram. E não à toa: engenheiro eletricista, fez carreira na Copel, onde trabalhou em usinas, galgou postos e chegou até a presidência.

O que surpreendeu os empregados de Itaipu, no entanto, foi que Vianna é, além de um bom gestor, um boa-praça. Ele granjeou respeito e admiração, nos poucos meses à frente da binacional, por um estilo mais aberto e democrático.

BATE PAPO MENSAL

Uma vez por mês, empregados das várias áreas participam do Bate-Papo com Vianna, um café da manhã regado a muita conversa. Vianna ouve muito e promete pouco, mas tudo o que é possível resolver, em pouco tempo se concretiza.

Agora, ele já se prepara para responder a todas aquelas questões que os empregados falam em surdina, que circulam nos corredores e na rádio peão. Normalmente tratadas como assuntos sigilosos, estas questões vão ser abordadas de forma transparente numa entrevista que chegará a cada estação de trabalho.

Cada empregado e empregada se sente, cada vez mais, participante das grandes decisões e da política macro de uma usina que é motivo de orgulho para brasileiros e paraguaios.

ENFRENTAR TEMPESTADES

“Em momentos políticos difíceis como o Brasil atravessa, é importante ter à frente de estatais e órgãos públicos pessoas como Vianna. São como aqueles capitães de navio capazes de enfrentar tempestades com um gélido sorriso, e comemorar com seus marujos cada vitória com um riso franco e aberto”, diz à coluna um técnico, engenheiro, antigo quadro de Itaipu.

Foi o que se viu na festa em que Itaipu chegou aos 2,5 bilhões de megawatts-hora de energia acumulada. O quase recém-chegado Luiz Fernando Leone Vianna valorizou o feito dos empregados, tanto os atuais como os que colocaram a usina em funcionamento, 33 anos e meio atrás. E participou de uma festa diferente, com comida de food truck e show de rock, para mostrar que os tempos em Itaipu são realmente novos, que a usina agora procura ter “a cara do empregado”: que é jovem (independentemente da idade) e dinâmico. Como o próprio Vianna.

REVISÃO DO ANEXO C

Um assessor de Vianna, de largo trato na vida administrativa do Paraná, e técnico também de alta reputação, acrescenta a essa observação:

“Vianna sabe que precisará desses empregados e empregadas para vencer os grandes desafios que tem pela frente. Um deles é o início de estudos e de negociações para a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que completa 50 anos em 2023. O Anexo C trata das questões financeiras e dos serviços de eletricidade. Isto é, é o documento mais importante do ponto de vista prático, porque é ele que vai embasar o futuro da Itaipu nos mercados dos dois países.”

NEGOCIAÇÕES DIFÍCEIS

O que se sabe é que serão negociações difíceis. Mas os dois países mostraram no passado capacidade de superar divergências em favor do bem comum dos dois povos. Foi com muita negociação que surgiu esta maravilha da engenharia, feito que para o mundo inteiro parecia impossível.

“Se a usina é resultado de muitos estudos técnicos e do trabalho de milhares de operários, Itaipu é também fruto de diplomacia e de uma engenharia financeira e jurídica sem paralelo no mundo”, acrescenta assessor da área financeira, pedindo anonimato.

MODERNIZAR MÁQUINAS

Hoje, se já não tem o posto de maior hidrelétrica do mundo em tamanho, é aquela que mais gera energia.

Em 2016, deixou longe a chinesa Três Gargantas, cuja capacidade é muito superior. Mas Itaipu tem ainda outro grande desafio para se manter no topo. É preciso modernizar suas máquinas, as 18 (de um total de 20) que foram instaladas e começaram a operar entre 1984 e 1991. Estão defasadas tecnologicamente e, para que sua produtividade permaneça alta, têm que receber as inovações já incluídas nas duas máquinas instaladas em 2006 e 2007.

Estes são os dois grandes desafios de Vianna e sua equipe. Tarefas ciclópicas, que bem representam a própria Itaipu, onde tudo é gigantesco.

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