
Candidato ao governo do Paraná, em 2006, o pedetista Osmar Dias engoliu um sapo: Derli Antônio Donin, o ex-prefeito de Toledo seria o seu vice na chapa. Era uma imposição do PP, partido ao qual Donin pertencia. Ou isso ou a legenda bateria à porta do governador peemedebista Roberto Requião, que disputava a reeleição.
SAPO BARBUDO
Osmar engoliu o sapo. Afinal, não era um sapo barbudo como Leonel Brizola definira Lula na campanha de 1989. Brizola, aquele mesmo que viera ao Paraná, pouco antes de falecer, para receber Osmar de braços abertos no ninho pedetista.
RAÍZES FAMILIARES
Em 2006, contudo, o vice de Osmar não seria Donin. Não pelas mãos dele.
Então senador no segundo mandato consecutivo, Osmar era um político do interior do Paraná. Fora secretário da Agricultura no governo de seu irmão, Alvaro Dias, e sedimentara seu eleitorado nas regiões Norte e Noroeste do estado. Necessitava, portanto, de um vice da capital e escolhera o então vereador Ney Leprevost (PP), um nome forte, de raízes familiares fincadas na capital paranaense, para compor a chapa.
UM VICE CONVENIENTE
Donin não fazia mesmo sentido. Era um político desconhecido em Curitiba e de pouca influência em um horizonte de geografia estreita. Mas o PP, soube-se depois, procurava uma maneira de demovê-lo da ideia de disputar a Câmara Federal e, convenientemente, lhe ofereceu a vice de Osmar.
DESVIO DA MERENDA ESCOLAR
Deu no que deu. Em meio à campanha, os adversários publicaram o “dossiê do prefeito Donin”. Havia de tudo, inclusive desvio de dinheiro destinado à merenda escolar. O resto da história é conhecida. Osmar avançou para o segundo turno contra Requião e acabou derrotado por um ínfimo porcentual de votos.
OSCILAÇÃO PARTIDÁRIA
Agora a história parece mudar. Contrariando o estilo do “matuto político”, Osmar Dias anunciou sua pré-candidatura ao governo no início deste ano e, mineiramente, articula alianças. A expressiva votação de Leprevost na corrida à prefeitura, em 2016, faz com que ele, de novo, mire a perspectiva de ter o deputado do PSD na condição de vice em sua chapa. A questão é o PSD, o mesmo partido de Ratinho Jr., que também já se apresentou à disputa. Osmar trabalha para convencer Leprevost a mudar de legenda. Ele mesmo tem oscilado nesse sentido.
SOMBRA ASSUSTADORA
Em 2018, o PDT terá a sombra assustadora de Ciro Gomes como presidenciável. É um fato incômodo sob qualquer perspectiva. Osmar tem convites de outros partidos. O Podemos, mesmo partido do irmão, é um deles. O passo que dará, nos próximos meses, no entanto, não pode atropelar as alianças. Mais de uma década depois, Osmar pode concretizar uma chapa com Leprevost, mas precisa antes combinar com o deputado. E com os russos.
