Assessoria – No dia 29 de outubro, o Dia Mundial da Psoríase lança luz sobre uma das doenças inflamatórias de pele mais comuns do mundo. No Brasil, a condição responde por 7,1% dos atendimentos dermatológicos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Já um levantamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta que o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou cerca de 55 mil atendimentos relacionados à doença entre 2014 e 2024.
Doença crônica e não-transmissível, a psoríase carrega o peso do estigma social, com sintomas como placas avermelhadas, descamação e coceira, o que a confunde, por vezes, com uma infecção contagiosa, como explica o dermatologista e professor da Afya Educação Médica Porto Alegre, Humberto Ponzio.
“A psoríase é uma doença multissistêmica com forte base genética e imunológica. Ela agride a pele, mas também pode afetar órgãos internos e articulações“, aponta o dermatologista.
Silvia Maria Nascimento Ferreira, médica e professora de pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica Curitiba, pontua que o surgimento da psoríase diz respeito ao sistema imunológico. “A psoríase acontece quando o sistema imunológico estimula em excesso a renovação das células da pele, o que provoca o processo inflamatório. As placas avermelhadas vão se descamando em escamas esbranquiçadas ou prateadas, que causam coceira, ardência e uma sensação de ressecamento que pode inclusive fazer fissuras na pele”, observa.
O que provoca o surgimento da psoríase?
O fator hereditário está presente em aproximadamente metade dos casos, no que é comum observar o padrão genético de se “pular” uma geração, passando a doença de avós para netos, embora quadros de maior expressividade possam acontecer de pais para filhos também.
No entanto, a genética não age sozinha. O agravamento das lesões pode ser influenciado por gatilhos do dia a dia, como estresse emocional, lesões na pele, exposição ao sol, consumo de álcool, tabagismo e alimentos ultraprocessados, além do uso de remédios para hipertensão e antimaláricos.
Para Silvia, é fundamental que o acompanhamento com um profissional da dermatologia seja feito desde o início, para evitar que a doença seja confundida com outros problemas da pele. Ela ainda reforça o alerta de que a psoríase não surge por falta de cuidados do paciente.
“A psoríase nem sempre se apresenta de maneira tão clara, então é preciso acompanhar o desenvolvimento das lesões até se chegar a um diagnóstico, para ela pode ser confundida com outras doenças. Ela não é uma alergia nem falta de higiene, apesar do preconceito com que muitas pessoas olham para quem tem a doença”, indica a especialista.
O alerta das unhas e articulações
A psoríase pode afetar também o sistema articular, em um quadro chamado de artrite psoriática, que provoca dor e rigidez em regiões como a junta das mãos e coluna. Para o Dr. Ponzio, há outro sinal de alerta que também chama a atenção dos dermatologistas: as unhas.
“Há uma forte correlação entre as unhas e as articulações. Quando identificamos lesões nas unhas do paciente, quase sempre há algum comprometimento articular associado. Quando elas são poupadas, a manifestação nas juntas costuma ser ausente ou apenas subclínica“, pondera o médico.
Sílvia ainda explica que os casos de artrite psoriática exige uma atenção maior e que a doença pode, se não houver o acompanhamento adequado, levar a outras doenças.
“Nesse caso, a inflamação das articulações pode levar ao comprometimento de tendões ou estruturas próximas. Quem tem psoríase pode ter maior frequência de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão, alteração de colesterol, doenças cardiovasculares e até condições psicológicas“, comenta a médica.
A revolução dos tratamentos e a hidratação diária
A psoríase não tem cura, mas pode ser controlada a ponto de o paciente viver totalmente sem lesões. Entre os tratamentos possíveis para a doença, estão o uso de cremes específicos e sessões de fototerapia para quadros mais leves; terapias mais clássicas e medicamentos, por outro lado, auxiliam no controle prolongado.
Da mesma forma, o uso de imunomoduladores de alta tecnologia transformaram o tratamento de casos graves, bloqueando os mecanismos específicos da inflamação. Alguns desses medicamentos já são disponibilizados via SUS mediante laudo médico, mas o cuidado diário com a hidratação segue sendo uma das respostas mais potentes, reforça o Dr. Ponzio.
“Uma pele bem hidratada resiste melhor aos fatores externos, responde de forma mais rápida às terapias e evita que a doença se alastre pelo corpo“, finaliza o dermatologista.
Silvia pontua que o tratamento contra a doença está mais avançado do que antes, com uma série de estratégias que melhoram muito a vida do paciente.
“As terapias imunobiológicas e alguns medicamentos hoje atuam de forma específica nas vias inflamatórias, quando é preciso um reforço além de pomadas, fototerapia e outras medidas. É possível individualizar o tratamento, controlando primeiro a inflamação para depois prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. E claro, a hidratação da pele com hidratantes, evitando banhos muito quentes, não arrancando as escamas e outros cuidados fazem muita diferença“, diz a médica da Afya.
A especialista ainda explica que o tratamento da doença é um processo de descobertas, no qual se chega ao conjunto de soluções ideal para o paciente e que deve ser mantido regularmente.
“O tratamento da psoríase é, na verdade, uma escada de tratamento que subimos até chegar no degrau certo para o paciente. Uma vez que conseguimos alcançar esse estágio, a pessoa precisa manter o cuidado sempre. Não há motivo para ter vergonha ou se isolar: com diagnóstico correto e acompanhamento, a doença pode ser controlada e proporcionar uma vida normal“.
