terça-feira, 20 outubro, 2026
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Para vencer o câncer de mama, é preciso cuidar da saúde mental

Assessoria – O Brasil deve registrar cerca de 78 mil casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença é o tipo de câncer mais frequente entre as brasileiras, desconsiderando os tumores de pele, e representa aproximadamente 30% dos novos casos de câncer na população feminina. No entanto, junto com o diagnóstico da doença surge um outro desafio para as mulheres: a saúde mental durante o tratamento.

Um estudo publicado na Espanha em abril desse ano, pela revista científica Actas Españolas de Psiquiatría, se debruçou sobre o problema. O levantamento, que analisou dados de mais de 21 mil pacientes com câncer de mama, identificou uma prevalência de ansiedade de 35% e de depressão de 26% entre as mulheres avaliadas. Entre os fatores observados pelo estudo, foram apontados a falta de apoio social, baixa renda e históricos de transtornos mentais.

Luana Harada, médica e professora de pós-graduação em psiquiatria da Afya Educação Médica Curitiba, explica que algumas medidas podem ser tomadas pelas mulheres e pessoas próximas, a partir do momento em que o diagnóstico do câncer é confirmado. Para ela, a saúde mental deve ser uma forte aliada na luta contra a doença.

Como o diagnóstico afeta a saúde mental da paciente?

“Com o diagnóstico, surgem incertezas sobre o futuro, família, trabalho e a própria autonomia. O medo, a ansiedade, a tristeza e a sensação de perda de controle sobre a própria vida são reações frequentes, mas não necessariamente significam transtornos psiquiátricos. Porém, algumas pessoas podem desenvolver quadros como transtornos de adaptação, ansiedade e episódios depressivos, em um risco que depende de vários fatores. Por isso, é fundamental que a saúde mental seja acompanhada desde o diagnóstico”, afirma a psiquiatra da Afya Educação Médica Curitiba.

Quais os efeitos que o desenvolvimento da doença traz para a autoestima da paciente?

“Mudanças como a queda de cabelo, alterações nas mamas e cicatrizes cirúrgicas podem afetar a imagem corporal, provocando estranhamento, insegurança e tristeza, além de repercussões na autoestima, na identidade e na sexualidade. Para algumas mulheres, são transformações que envolvem um certo luto pela imagem corporal que tinham antes, já que essa imagem participa diretamente da maneira como nos percebemos e relacionamentos com o mundo”, observa Luana.

Como lidar com a saúde mental, diante dos efeitos da doença e evolução do tratamento?

“A atividade física, quando adaptada às condições clínicas e autorizada pela equipe responsável, pode contribuir para reduzir sintomas ansiosos e depressivos, além de melhorar a qualidade do sono, assim como técnicas de relaxamento podem ajudar com o estresse e a regulação emocional. É importante também, sempre que possível, preservar atividades, vínculos e partes da rotina que contribuam para a autonomia e a identidade, desde que não se tornem obrigações, pois as limitações do tratamento podem trazer certas dificuldades, e isso precisa ser respeitado”, explica a psiquiatra.

Existe algum medicamento ou tratamento psiquiátrico que melhore a saúde mental após o diagnóstico?

“Existem tratamentos psiquiátricos e psicológicos que podem contribuir com a saúde mental durante o tratamento. A psicoterapia, em abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, apresenta evidências na redução de sintomas ansiosos, depressivos e na adaptação emocional ao adoecimento. Quando há indicação clínica, antidepressivos também podem colaborar, desde que se considere a interação com os medicamentos do tratamento oncológico.

É importante destacar que nem todo sofrimento exige tratamento medicamentoso; medo, tristeza e angústia podem ser reações esperadas com o diagnóstico. O objetivo do acompanhamento em saúde mental é reconhecer quando essas manifestações provocam sofrimento significativo ou prejuízo funcional, oferecendo intervenções adequadas às necessidades de cada pessoa”, reforça Luana.

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