terça-feira, 20 outubro, 2026
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Teatro de graça: Maíra Lour dirige BATIMPAZ, clássico do pai

Assessoria – Em 1982, diante das imagens da Guerra das Malvinas transmitidas pela televisão, uma menina de apenas 3 anos olhou para o pai e fez uma pergunta simples, mas profunda: “Pai, por que é que eles brigam?“. O pai era o dramaturgo paranaense Enéas Lour, que transformou a curiosidade inquieta da filha no texto da peça BATIMPAZ, que se tornaria um clássico do teatro para as infâncias.

Mais de quatro décadas depois, a menina Maíra Lour, hoje diretora de teatro, assume a direção artística da nova montagem realizada pela Súbita Companhia de Teatro. A obra, premiada pelo Troféu Gralha Azul nos anos 80, atravessa a memória das artes cênicas paranaenses e segue levando aos palcos a poesia de questões que permanecem urgentes no presente: a guerra, a violência e a maneira como as crianças percebem e elaboram o mundo ao seu redor.

A nova montagem de BATIMPAZ coloca em movimento a memória viva do teatro quando promove o encontro entre diferentes gerações de artistas que contribuíram para a história do teatro paranaense. Além de homenagear a trajetória do artista Enéas Lour, falecido em 2024, o projeto reúne profissionais que participaram da montagem original, como Fátima Ortiz, diretora do espetáculo na década de 80, Beto Bruel, responsável pela iluminação, e Rosy Greca, que retorna à obra como preparadora vocal. O artista Guga Cidral que assistiu a peça quando criança, agora colabora com a nova criação. Na sala de ensaio da Súbita Companhia, diferentes gerações de artistas compartilham experiências, memórias e saberes, reafirmando a importância de BATIMPAZ na história do teatro para as infâncias.

“Acredito que o teatro para as infâncias deve abordar de maneira poética, alegre e envolvente as questões que atravessam nossas vidas cotidianas. BATIMPAZ é um texto muito bonito, que questiona a guerra de um jeito corajoso e sensível, e por isso, segue sendo tão importante”, observa Maíra.

Marco paranaense do teatro para as infâncias desde os anos 80

A montagem original de 1982 marcou época nas artes cênicas de Curitiba e recebeu o Troféu Gralha Azul em duas edições: Melhor Texto de Teatro Infantil para Enéas Lour (1982) e Melhor Direção de Teatro Infantil para Fátima Ortiz (1985). Além de encenada por companhias profissionais, a peça tornou-se um clássico do repertório para as infâncias, sendo adotada por escolas, educadores e cursos de teatro ao longo das décadas. Em 1997, BATIMPAZ foi publicada na coletânea “4 textos de teatro para crianças” dos autores Fátima Ortiz e Enéas Lour, juntamente com Era Uma Vez Outra História (1976), Ari Areia – Um Grãozinho Apaixonado (1990) e Pinha, Pinhão, Pinheiro (1984).

Atualidade do tema

Ensaio da peça. Foto: Gabi Coutinho

Mesmo criada no contexto da Guerra das Malvinas, nos anos 1980, a obra ganha ainda mais relevância nos dias atuais, visto que o mundo segue enfrentando guerras e conflitos bélicos. Hoje, a reflexão ganha novos contornos pelo amplo acesso das crianças a mídias digitais e jogos de guerra em celulares, tablets e TVs. Em meio ao contexto atual, BATIMPAZ retoma a potência da brincadeira, da imaginação e da utopia para propor uma reflexão crítica e poética sobre a guerra e a violência.

Sinopse

Em um dia chuvoso, três crianças resolvem brincar de guerra. Durante a brincadeira, surgem perguntas inquietantes, como: “Por que será que se começa uma guerra?”. No universo mágico do quarto de brincar, duas grandes almofadas ganham vida e se transformam em generais que comandam países em disputa pela posse de uma ilha. Em busca do coração da ilha, as crianças descobrem, de forma lúdica, poética e bem-humorada, o completo absurdo da guerra. Entre a imaginação e a utopia, convidam o público a inventar outras possibilidades de futuro e sonhar com um mundo em paz.

Súbita Companhia

A Súbita é um coletivo artístico curitibano que em 2027 completará 20 anos de atuação, sendo reconhecido como um dos principais grupos de teatro do Paraná. Ao longo desta trajetória, a companhia produziu 19 peças, cenas curtas, curtas-metragens, publicações de dramaturgia, além de ter conquistado diversas premiações como Troféu Gralha Azul 2025 de Melhor Direção por “Deriva” e Melhor Espetáculo por “O medo da morte das coisas”.

Temporada de “BATIMPAZ”

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