terça-feira, 15 setembro, 2026
HomeSaúde e bem-estarTirzepatida em alta: quais exames ajudam a monitorar a saúde

Tirzepatida em alta: quais exames ajudam a monitorar a saúde

Assessoria – O uso da tirzepatida ganhou espaço no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, da obesidade. Estudo publicado em 2026, com dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), identificou a dispensação de mais de 181 mil unidades industrializadas de tirzepatida no país desde junho de 2025.

O avanço ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliar, em junho de 2025, a indicação da tirzepatida para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições de saúde. Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, cresce também a importância do acompanhamento profissional.

Segundo o responsável técnico do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, exames laboratoriais podem ajudar a acompanhar diferentes aspectos da saúde antes e durante o tratamento, mas a avaliação deve ser individualizada. “Não existe uma lista única de exames que sirva para todas as pessoas que utilizam tirzepatida. O histórico do paciente, suas condições de saúde, outros medicamentos utilizados e a resposta ao tratamento precisam ser considerados. É o médico quem deve definir quais exames são necessários e com qual periodicidade”, explica.

Avaliação antes e durante o tratamento

Entre os indicadores que podem ser avaliados estão controle glicêmico, perfil cardiometabólico, funções renal, hepática, tireoidiana e pancreática, além do estado nutricional. Exames como glicose, hemoglobina glicada e insulina ajudam a avaliar o metabolismo da glicose, enquanto creatinina, ureia e eletrólitos fornecem informações sobre a função renal. Marcadores hepáticos, perfil lipídico, hormônios tireoidianos, hemograma, vitaminas e proteínas também podem integrar a avaliação, conforme indicação médica. Amilase e lipase podem ser solicitadas para avaliação pancreática, especialmente quando houver indicação clínica.

“Quando existe uma perda de peso importante, olhar apenas para o número da balança não conta toda a história. Os exames, associados à avaliação clínica, ajudam o profissional que acompanha o paciente a ter uma visão mais ampla do organismo e tomar decisões individualizadas”, afirma Kozlowski.

Para auxiliar nesse acompanhamento, o LANAC disponibiliza dois painéis voltados a pacientes que utilizam medicamentos da classe dos GLP-1 e tirzepatida: o Start, direcionado à avaliação antes do início do tratamento, e o Evolution, para quem já utiliza a medicação. A composição dos painéis reúne diferentes marcadores que podem auxiliar o médico na avaliação do paciente.

A atenção ao acompanhamento ocorre em um cenário de crescimento da obesidade no país. Dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, mostram que 62,6% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal apresentavam excesso de peso e 25,7% tinham obesidade. Já o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade, estima que 68% dos adultos brasileiros vivam com IMC elevado e 31% com obesidade.

Para Kozlowski, a maior disponibilidade de medicamentos para o tratamento da obesidade torna ainda mais importante o acompanhamento adequado. “Tirzepatida é um medicamento e não deve ser utilizada sem acompanhamento. Os exames laboratoriais também não substituem a consulta. Eles são ferramentas para que o médico possa acompanhar a saúde do paciente e tomar decisões com mais informações”, ressalta.

Leia Também

Leia Também