quarta-feira, 2 setembro, 2026
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Pinhais entra no radar dos apartamentos compactos

Assessoria – Curitiba vive um dos maiores ciclos de expansão dos empreendimentos compactos do país. Com a forte concentração de studios e apartamentos de menor metragem em regiões consolidadas da capital, o mercado começa a olhar para novos territórios capazes de reproduzir os atributos urbanos que sustentaram a demanda por esse tipo de produto. A Região Metropolitana de Curitiba desponta como uma dessas possibilidades, especialmente em projetos planejados para criar novas centralidades urbanas.

Segundo a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), cerca de 70% dos lançamentos residenciais da capital paranaense em 2026 são compostos por estúdios, movimento associado a novas formas de morar e à ampliação do acesso ao investimento imobiliário por meio de produtos de menor ticket. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica, divulgado pela imobiliária Cibraco, aponta que as vendas de studios e compactos cresceram 210% entre 2015 e 2024 em Curitiba.

Além disso, os compactos já representam cerca de 38% do estoque disponível em Curitiba. A concentração dos novos empreendimentos também é territorial: no primeiro trimestre de 2026, 39,6% das unidades lançadas na capital estavam no Centro, enquanto Alto da Glória e Boa Vista concentraram 12,3% cada, e Cristo Rei, 11%. O cenário indica que, mais do que uma mudança no perfil das unidades, o mercado começa a buscar novas localizações capazes de sustentar a expansão desse produto.

A expansão para novos territórios acompanha também uma transformação econômica da própria Região Metropolitana de Curitiba. Dados consolidados pelo IBGE (IBGE Cidades, 2023) mostram que Pinhais apresenta PIB per capita de R$ 77.567,93, superior ao registrado em Curitiba, de R$ 67.691,30. O indicador reforça o papel do município como um dos polos econômicos do entorno da capital e evidencia que a região não funciona apenas como extensão territorial de Curitiba, mas como um território com dinâmica própria para o desenvolvimento de novos projetos urbanos.

A discussão vai além da redução da metragem das unidades. Para especialistas do setor, a atratividade dos compactos está diretamente relacionada ao contexto urbano em que estão inseridos: mobilidade, oferta de serviços, comércio, áreas de convivência e proximidade com polos geradores de demanda são fatores que influenciam a decisão de moradores e investidores.

Com a expansão desse modelo nas regiões consolidadas da capital, incorporadoras começam a avaliar novos territórios capazes de reunir os mesmos atributos urbanos que impulsionaram a demanda pelos compactos em bairros tradicionais. A Região Metropolitana de Curitiba passa a integrar essa discussão, sobretudo por meio de bairros planejados que se propõem a construir uma nova centralidade urbana desde a concepção do projeto. Nesse contexto, bairros planejados se diferenciam justamente pela ordem de entrega: infraestrutura e equipamentos urbanos que normalmente levam décadas para amadurecer em um bairro tradicional já chegam prontos nas primeiras fases da implantação.

Quando a infraestrutura chega antes do edifício

Em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o PARC Autódromo ilustra essa nova lógica de desenvolvimento urbano. Desenvolvido pela BairrU Urbanismo sobre o terreno do antigo Autódromo Internacional de Curitiba, o projeto parte de uma premissa diferente da expansão imobiliária tradicional: criar primeiro os elementos que formam uma cidade para, depois, receber os edifícios.

Com VGV de R$ 5 bilhões, o bairro prevê áreas residenciais, comerciais, corporativas e de serviços, além de um parque, espaços públicos e sistema viário estruturado. Para a BairrU, a próxima etapa do mercado de compactos está relacionada não apenas ao tamanho das unidades, mas à capacidade dos territórios de gerar demanda recorrente.

“O mercado de compactos mostrou sua força em Curitiba, mas a discussão agora é entender quais novos territórios conseguem oferecer os atributos urbanos que tornam esse produto atrativo. Um bairro planejado permite desenvolver infraestrutura e serviços antes da verticalização, criando novas possibilidades de moradia e uso do espaço urbano”, afirma Fernando Bau, CEO e fundador da BairrU.

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