segunda-feira, 24 agosto, 2026
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Pesquisa inédita revela pouco conhecimento sobre fitoterápicos

Assessoria – O baixo índice de informação da população brasileira sobre o uso de fitoterápicos e o reduzido número de prescrições médicas envolvendo esse tipo de medicamento têm travado o potencial do setor, apesar de o Brasil concentrar cerca de 20% da biodiversidade do planeta.

É o que aponta pesquisa inédita encomendada pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Fitoterápicos, Suplementos Alimentares e Promoção da Saúde (Abifisa) por sentir falta de dados sobre o hábito de consumo de fitoterápicos no país, para conhecer a motivação para a compra e compreender a percepção do público sobre esses produtos.

Apesar de 80% dos entrevistados pelo Instituto Opinion Box afirmarem conhecer o termo, apenas 20% conseguem efetivamente diferenciar fitoterápicos de produtos naturais ou suplementos.

A diferença entre eles está no enquadramento regulatório e na finalidade. “Os medicamentos fitoterápicos são aqueles obtidos a partir de matérias-primas ativas vegetais, como extratos, e sua validação ocorre por evidências documentadas, como estudos clínicos e uso tradicional comprovado”, explica Laerte Dall’Agnol, presidente da Abifisa.

Basicamente, os suplementos alimentares não são medicamentos e, portanto, não servem para tratar, prevenir ou curar doenças, segundo informa a própria Anvisa. “Muitos medicamentos seguem fórmulas tradicionais, baseadas no conhecimento de povos originários/indígenas e repassadas por gerações. O longo histórico de uso, documentado tecnicamente, garante a segurança e a efetividade desses medicamentos, conforme prevê a RDC nº 26/2014”, complementa.

Ao responderem sobre a frequência de uso de medicamentos fitoterápicos, apenas 14% dos entrevistados revelam uso frequente. Outros 14% disseram não usar, 11% relataram que já usaram e pararam e 26% afirmaram usar raramente. Além disso, mais da metade (54%) não sabe citar nenhuma marca ou nome de fitoterápico. Mesmo entre os que afirmam usar frequentemente, 45% não lembram marca ou nome.

Para a Abifisa, os índices apontados pela pesquisa de desconhecimento e uso dos fitoterápicos causam preocupação para o setor. “O fato das pessoas confundirem e não conseguirem diferenciar fitoterápicos da utilização de vitaminas, suplementos alimentares e chás realmente é preocupante. Então, temos um grande trabalho pela frente que é o de melhorar a divulgação dos produtos e informar quais são as diferenças para o consumidor. Os dados obtidos na pesquisa vão servir como bússola estratégica para orientar ações de incentivo a toda a cadeia produtiva e ao consumo consciente dos produtos”, afirma a presidente da Abifisa.

Potencial de crescimento no consumo

Se por um lado os dados revelam o baixo nível de conhecimento e de uso dos fitoterápicos, por outro revelam enorme potencial de crescimento deste mercado no país. A maioria dos entrevistados (75%) concorda que os fitos são uma alternativa eficaz e segura. Já 68% confiam na qualidade de produção desses medicamentos no Brasil.

Apenas 3% dos entrevistados afirmam que não utilizariam em nenhuma situação e somente 11% apontam a preferência por medicamentos convencionais. Tais índices indicam que praticamente não há rejeição ao uso de medicamentos fitoterápicos, o que é uma ótima mensagem ao mercado.

Outros dados animadores para o setor: entre os que usam, 40% querem aumentar. Entre os que deixaram de usar, 44% pretendem voltar. Entre os que não usam, 26% desejam começar.

Para a presidente da Abifisa, os números são “uma porta aberta” para o avanço do consumo dos fitoterápicos no país. “Os números da pesquisa representam oportunidades de crescimento. Somente 3% disseram que não usariam de jeito nenhum fitoterápicos. Isso significa que 97% dos brasileiros estão, de alguma forma, receptivos a esses produtos, mas ainda não encontraram a confiança, a informação ou a recomendação adequada para concretizar esse consumo. É uma porta aberta que temos que aproveitar”, diz Dall´Agnol.

Importância da prescrição

A sondagem confirma a relevância da prescrição médica tanto para os que já utilizam, quanto para os potenciais consumidores de medicamentos fitoterápicos. Quase metade dos que já usam os fitos (49%) afirmam que a escolha é orientada por prescrição médica. Além disso, 80% reconhecem que a orientação de um profissional de saúde é indispensável para o uso correto.

Entre os que nunca usaram, 25% apontam justamente a falta de recomendação médica como principal razão. A ausência de prescrição médica é um dos entraves para o aumento no uso de fitoterápicos no país. Isso ocorre, principalmente, por dois fatores: inexistência da Fitoterapia nos currículos das escolas de Medicina (apenas como especialização) e a baixa inserção dos fitoterápicos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) e em Recomendações de Uso do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para motivar o aumento no número de prescrições médicas para fitoterápicos, a Abifisa criou neste ano um evento com foco em prescritores – o Biohealth Conference, que teve a 1ª edição em São Paulo -, e também tem procurado incentivar os médicos a buscar especializações em Fitoterapia. Para tanto, desenvolveu um projeto que concede bolsas de estudo parciais para os profissionais no curso de Fitoterapia Clínica, coordenado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).

O levantamento também revela que os médicos são apontados por 73% dos entrevistados como fontes confiáveis de informação sobre fitoterápicos, seguidos pelos farmacêuticos com 52%.

Em um dos países mais conectados do mundo, chama atenção o dado que mostra o baixo grau de confiança em influenciadores digitais e criadores de conteúdo para as redes sociais na decisão de uso (10%).

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