sexta-feira, 7 agosto, 2026
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Negócios & Gente: O trunfo brasileiro na corrida da mobilidade

Por Aline Cambuy – Enquanto boa parte do mundo concentra seus esforços nos carros 100% elétricos, executivos da indústria automotiva reunidos nesta semana em Curitiba defenderam que o maior diferencial competitivo do Brasil pode estar justamente em uma tecnologia que o país domina há décadas: o etanol. A tese ganhou força durante o 23º Fórum SAE BRASIL da Mobilidade, que reuniu mais de 500 participantes no Centro de Eventos da FIEP.

Para líderes da indústria, o futuro da descarbonização não passa necessariamente por copiar o modelo europeu, mas por combinar motores híbridos com um combustível renovável produzido localmente. Na prática, a aposta é transformar uma característica brasileira em vantagem tecnológica e industrial.

O presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, foi um dos defensores dessa estratégia ao apresentar dados mostrando que, quando se considera todo o ciclo de emissões, veículos híbridos abastecidos com etanol podem alcançar desempenho ambiental superior ao de carros elétricos alimentados por matrizes energéticas dependentes de combustíveis fósseis.

A discussão acontece em um momento de forte transformação do setor. A chegada acelerada de montadoras asiáticas, a disputa por mercado e a pressão por inovação vêm obrigando a indústria instalada no Brasil a rever estratégias. Mais do que fabricar veículos, o desafio passa a ser desenvolver tecnologia, software e soluções capazes de manter a engenharia nacional competitiva em um mercado cada vez mais global.

O diferencial brasileiro

Além da defesa do etanol como diferencial competitivo, os especialistas destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para desenvolver uma estratégia própria de descarbonização. O setor automotivo é um dos mais regulamentados do país e, atualmente, os veículos leves respondem por cerca de 4% das emissões brasileiras de CO₂.

Os debatedores lembraram ainda que os investimentos da indústria permitiram reduzir em 99,5% as emissões de poluentes como os óxidos de nitrogênio (NOx). Na avaliação dos participantes, esses avanços, aliados à engenharia nacional e ao desenvolvimento de tecnologias híbridas flex, fortalecem a posição do Brasil na busca por soluções de mobilidade de baixo carbono.

Se você conhece uma história inspiradora de gente ou de uma empresa que mereça ser contada, ou se tem uma sugestão de tema que gostaria de ver por aqui, escreva para negociosegente@gmail.com. Vai ser um prazer te ouvir!

*Aline Cambuy é jornalista com mais de 20 anos de experiência e atua na área da comunicação empresarial. Estudante de Psicologia, une seu olhar crítico e humano para construir narrativas que conectam pessoas e negócios.

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