
A frase “O peixe fede desde a cabeça” usada pelo ex-diretor de comunicação de Trump, Anthony Scaramucci, o Breve (durou dez dias no cargo), cai como uma luva na crise instalada no PDT.
Não há como negar: o que o comando da sigla pensa está longe do pensamento de seus militantes (com ou sem mandato). O presidente estadual do PDT e pré-candidato ao governo, Osmar Dias, é um deles.
Jamais, concordaria com o projeto ditatorial de Nicolás Maduro, na Venezuela, e não entende porque o partido fundado por Leonel Brizola vê revolução em um regime de exceção.
CABEÇA DO PEIXE
Osmar Dias divulgou nota repudiando a decisão partidária. Mirou em Carlos Lupi, o presidente nacional da sigla, e principalmente no desafeto Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da República, e por todas as razões elencadas por Osmar, a cabeça pensante de um peixe de odor acre.
RETIRADA
Se Osmar deixar o partido, e tudo indica que essa é a sua intenção, provocará uma debandada. Deputados estaduais do PDT já sinalizaram que o acompanham. Nelson Luersen, Fernando Scanavaca e Márcio Pauliki, os três afirmam, por meio de suas assessorias, que não irão compactuar com o “regime sangrento” da Venezuela. Com eles deve seguir também o ex-prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet. Até para evitar um maior desgaste em suas pretensões políticas para 2018.
DESAPEGO
Trata-se de uma ação conjunta de desapego ao que restou de esquerdismo do PDT no Paraná. Osmar Dias foi vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil até julho do ano passado. Desde então relutava em fazer críticas à esquerda. Não mais.
NEOLIBERALISMO
A nota deixa claro seu rompimento e o devolve ao neoliberalismo, do qual nunca esteve completamente afastado. Em 2002, na virada das eleições para o governo do Paraná, Osmar recusou convite de José Serra (PSDB), seu amigo pessoal, para dedicar-se à campanha do irmão, Alvaro, no Paraná. Ironia: Alvaro era filiado ao PDT.
CIRO GOMES EM PERIGO
Com a saída de Osmar, dada como favas contadas, outras lideranças do PDT nos municípios devem segui-lo e esvaziar de vez qualquer pretensão de Ciro Gomes de promover sua campanha a presidente no Paraná. É mais certo que a candidatura do cearense morra pela boca. Como um peixe.
