Por Carol Macedo – O Dia dos Namorados chegou e é hora de celebrar o amor! Charuto é sempre um presente especial, mas, diferente de um vinho, por exemplo, ele não foi feito para compartilhar. O puro, quando degustado por duas pessoas ao mesmo tempo, pode superaquecer – o que torna a experiência amarga e picante. Isso não significa que, tomado o devido cuidado, esse momento a dois não possa existir. Afinal, degustar um charuto é sobre isso: sobre momentos. E tanto aqueles divididos quanto os de solitude são importantes em um relacionamento saudável.
Esta semana, encontrei esposas e namorados querendo presentear. Ajudei a escolher as melhores opções e alguns pediram, dentro da seleção, charutos mais suaves, entusiasmados pela novidade de dividir esse momento. Talvez parte de um relacionamento seja realmente isso: entrar no universo do outro e, por vezes, compartilhar desses rituais.
Por outro lado, também atendi uma esposa com décadas de história compartilhadas ao lado do seu amor e filhos já adultos. Ela me contou que, há anos, o charuto e o vinho são sagrados toda semana: ela com o vinho e suas amigas; ele com o charuto e os amigos dele. Ela nem sabia dizer quando isso começou, é como se sempre tivesse sido assim. Para ela, esses momentos com amigos – ou até sozinhos, longe da sua cara-metade – eram o que os tornava inteiros para que, quando juntos, pudessem transbordar.
Ainda acho que ter alguém para dividir um charuto é uma das pequenas sortes na vida de um aficionado, mas encontrar alguém que respeite as individualidades e valorize o tempo a sós talvez seja uma sorte maior ainda.
Feliz Dia dos Namorados. Que seja um dia repleto de amor, sorte e, quem sabe, bons charutos.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.
