segunda-feira, 1 junho, 2026
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Hipertensão cresce entre os jovens e exige atenção

Assessoria – A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, costuma ser associada ao envelhecimento, mas tem atingido cada vez mais pessoas jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que a hipertensão continua entre as doenças crônicas mais frequentes no Brasil. Segundo o sistema Vigitel, que monitora fatores de risco para doenças crônicas nas capitais brasileiras, a frequência de adultos com diagnóstico médico de hipertensão chegou a 26,3% em 2023.
Especialistas alertam para a importância da prevenção ainda na juventude, principalmente diante do aumento de hábitos prejudiciais à saúde cardiovascular. Embora a maior prevalência ainda esteja entre idosos, os médicos chamam atenção para os fatores de risco presentes já na rotina de jovens adultos, como sedentarismo, alimentação rica em sódio e ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, tabagismo, obesidade e altos níveis de estresse.
De acordo com o cardiologista da Paraná Clínicas, Luziel Andrei Kirchner, a hipertensão em jovens tem se tornado mais frequente em todo o mundo. Ele cita um estudo global publicado em 2025 no The Lancet Child & Adolescent Health apontando que a prevalência de hipertensão entre crianças e adolescentes praticamente dobrou nos últimos 20 anos. “Estima-se que cerca de 114 milhões de jovens de até 19 anos convivam com a doença. Entre adultos de 18 a 39 anos, levantamentos também apontam crescimento nos casos de hipertensão e pré-hipertensão”, explica o médico.
Dados do National Health and Nutrition Examination Survey indicam que, entre adultos de 18 a 39 anos, 7,3% já apresentam hipertensão e outros 8,8% estão na faixa de pré-hipertensão. 
Segundo o especialista, a doença costuma evoluir de forma silenciosa, o que torna ainda mais importante a medição regular da pressão arterial. “Na maioria das vezes, a hipertensão não apresenta sintomas até que haja comprometimento de órgãos-alvo. Quando aparecem, os sinais podem incluir cefaleia matinal, tonturas, palpitações, turvação visual, sangramentos nasais recorrentes e fadiga inexplicada”, afirma.
O médico ressalta que jovens com pressão arterial a partir de 12 por 8 já devem buscar avaliação profissional para investigação e orientação preventiva. “Também é importante procurar atendimento imediato em casos de pressão acima de 18 por 11, dor no peito, falta de ar súbita, sintomas neurológicos ou dor de cabeça intensa e progressiva”, alerta.
Segundo o Ministério da Saúde, a hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O controle adequado da pressão arterial reduz significativamente as chances dessas complicações.

Hábitos modernos aumentam os riscos

O cardiologista da Paraná Clínicas destaca que muitos comportamentos comuns entre os jovens favorecem o desenvolvimento precoce da doença. “O excesso de consumo de sódio, presente principalmente em alimentos ultraprocessados, fast-food e produtos industrializados, é um dos principais fatores. O brasileiro consome, em média, mais de 9 gramas de sal por dia, quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde”, explica.
Além da alimentação inadequada, o sedentarismo e o excesso de tempo em telas também contribuem para o aumento da pressão arterial. “Muitos jovens passam longos períodos sentados por conta do trabalho, estudo e lazer digital. A inatividade física favorece o ganho de peso e alterações vasculares que elevam a pressão”, afirma.
Segundo o especialista, outros fatores de risco importantes incluem obesidade, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, privação de sono, estresse crônico e uso de substâncias como cigarro eletrônico, anabolizantes e estimulantes. “Dormir menos de seis horas por noite e manter níveis elevados de estresse por longos períodos também aumentam significativamente o risco de hipertensão”, completa.
Apesar dos riscos, a prevenção depende, em grande parte, de mudanças simples na rotina. Entre as principais recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, controlar o peso corporal, evitar cigarro e excesso de álcool e realizar consultas periódicas.
“O ideal é reduzir o consumo de sódio, priorizar alimentos naturais e adotar padrões alimentares equilibrados, como a dieta DASH, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e alimentos com baixo teor de gordura saturada”, orienta o médico.
A prática de exercícios físicos também é considerada essencial. “A recomendação é realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, combinada com exercícios de fortalecimento muscular. O controle do peso corporal, a boa qualidade do sono e o gerenciamento do estresse também fazem diferença na prevenção”, afirma.
O especialista ainda reforça a importância do acompanhamento preventivo desde cedo. “Mesmo sem sintomas, jovens devem medir a pressão arterial pelo menos uma vez ao ano a partir dos 18 anos, especialmente quando há histórico familiar, sobrepeso ou outros fatores de risco”, conclui.
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