terça-feira, 23 junho, 2026
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DOCEIRA DO “BOMBOM ENVENENADO” VAI A JÚRI POPULAR

A doceira bandida
A doceira bandida

Ela é a Medeia da era contemporânea. A versão macabra da piada do pau de macarrão. A doceira Margareth Aparecida Marcondes irá a júri popular, em Curitiba, no dia 7 de agosto, acusada de envenenar quatro adolescentes.

O motivo é fútil, banal, como o são tantos crimes que ganham o noticiário. Este, no entanto, parece peculiar.

QUATRO VÍTIMAS

Contratada, em 2012, para preparar os doces do aniversário de 15 anos de uma adolescente, Margareth gastou o pagamento que lhe foi adiantado (cerca de R$ 7 mil) antes de entregar a encomenda. Na tentativa de adiar o aniversário, para que tivesse tempo de conseguir parte do dinheiro e comprar os ingredientes, a doceira enviou bombons e brigadeiros envenenados para a aniversariante. Ela e três amigas passaram mal e tiveram que ser encaminhadas ao hospital, onde foram medicadas e se recuperaram.

PAU DE MACARRÃO

Acusada pelo crime, Margareth respondia ao processo em liberdade quando foi presa, um ano depois, em Joinville, depois de acertar o ex-marido na cabeça, repetidas vezes, com um pau de macarrão. A doceira temia que ele testemunhasse contra ela no caso do envenenamento. O ex-marido conseguiu sobreviver, mas perdeu parte da fala e da audição. Ela fugiu e só foi capturada 11 dias depois.

Pela tentativa de homicídio, Margareth já foi julgada em Joinville e condenada a 10 anos de prisão. A expectativa da promotoria, no crime contra as adolescentes, é de uma pena com igual gravidade.

BRUXA DO CONTO DE FADAS

A doceira não tinha antecedentes criminais até bancar a bruxa do conto de fadas. O motivo que a levou a tal crueldade não está bem explicado. A crônica policial é falha nesse aspecto. Não se sabe que tipo de veneno foi usado nem por que, um ano depois de ter sido acusada, Margareth agrediria o ex com um pau de macarrão – o utensílio doméstico que faz parte do imaginário da mulher à espreita do marido dissimulado.

TRAGÉDIA GREGA

Em algum ponto, na linha do tempo de sua vida, a doceira de forno e fogão parece ter experimentado o desespero na adversidade. O que a fez pensar que flertar com a morte e o assassinato poderia resolver seus problemas é uma pergunta que só uma tragédia grega pode responder.

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