sexta-feira, 8 maio, 2026
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“SENADORAS OSTENTAÇÃO”. ERA O QUE FALTAVA

A prefeita e as senadoras ostentação
A prefeita e as senadoras ostentação

Há os que queiram dar um tom político à atitude das senadoras de esquerda que tomaram a mesa do Senado na terça-feira. É esperar muito.

Aquilo foi um show de vedetes. O que se queria era repetir o feito de Lidiane Leite da Silva, a prefeita ostentação da miserável cidade de Bom Jardim, no Maranhão.

Lidiane foi presa em 2014, depois de desaparecer por 39 dias, acusada de desvio de verba de merenda escola. Nas redes sociais, ela exibia uma vida de luxo, com rotina de viagens, de festas, de passeios em iates e de roupas caras. Em um post que ficou famoso, ela dizia: “Devia era comprar um carro mais luxuoso porque graças a Deus o dinheiro está sobrando”.

SELFIES

A grande “vibe” da prefeita ostentação eram as “selfies”, que ela disparava onde estivesse, em festas ou retocando a maquiagem em banheiros apertados. Qualquer semelhança com as senadoras que ocuparam a mesa do Senado por mais de sete horas não é mera coincidência.

MARMITA

Durante o tempo que permaneceram abancadas, à revelia das negociações que ocorriam nos bastidores, elas puderam transmitir o seu protesto em tempo real, fazer caras e bocas, passar a imagem de “guerreiras”, de “mulheres de luta” e comer de marmita para deleite dos famélicos que costumam fazer romarias em protestos convocados pelo MST e pela CUT. Se alguém postasse uma ofensa, elas imediatamente seguiam as lições de Lidiane: “É recalque”. Se alguém apelasse ao seu espírito democrático, elas responderiam: “Democracia é isso, meu bem, obstruir para gerar o debate”. Se alguém dissesse que elas estavam descumprindo o regimento da Casa, o coro seria mais ou menos esse: “Tô podendo!”.

SEXO FRÁGIL

Era uma estratégia. A bancada de oposição avaliou que, com as senadoras ocupando as cadeiras da Mesa Executiva, não haveria o uso da força para arrancá-las dali. E não houve mesmo. Naquele instante, as parlamentares eram representantes legítimas do “sexo frágil”. Não mais guerreiras, não mais combatentes. E ninguém ousaria despetalá-las.

Com a determinação do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), de suspender a sessão, mandar apagar as luzes e cortar os microfones do plenário, a ostentação das senadoras esparramou-se. Na melhor das imagens captadas por fotógrafos, elas aparecem iluminadas pelas luzes de seus celulares, deleitando-se com o protagonismo que ganharam nas redes sociais. “Foi um gesto estudantil”, afirmou o senador Cristovam Buarque (PSB-DF). Foi um gesto de quem ainda se deslumbra com o poder. E dele faz uso privado.

SEM DAR MUITA IMPORTÂNCIA

Mas não falemos em atentado contra a democracia ou gesto totalitário. Assim, estaríamos valorizando o que foi só ostentação. Tal qual a da prefeita de Bom Jardim, que depois de um ano presa, voltou à sua vida simples de entregadora de leite. Sem ostentar nada. Nem a dignidade.

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