quinta-feira, 2 abril, 2026
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Pensamento crítico precisa ser desenvolvido na infância

Assessoria – Ainda que a tecnologia seja uma ferramenta poderosa no ensino, atividades simples como plantar sementes, observar insetos ou explorar folhas e gravetos têm um resultado excelente na primeira infância — e para a vida toda. O contato com a natureza, incluindo a vida ao ar livre e o estudo de animais, plantas e ecossistemas, estimula a curiosidade, o desenvolvimento sensorial e o pensamento investigativo das crianças.

No Peixinho Dourado Berçário e Educação Infantil, essa é uma parte central da abordagem pedagógica. A partir da curiosidade das próprias crianças surgem as propostas a serem trabalhadas por cada turma. “Qualquer família ou escola, mesmo que more em apartamento ou não tenha um quintal, pode valorizar a observação da natureza”, explica a pedagoga Marianna Canova, diretora da escola. “Uma ideia é estimular a coleta de materiais da natureza e fazer coleções de folhas, pedras, entre outros.”

Na Turma dos Jardineiros, com crianças de cerca de 3 anos do Peixinho Dourado, a extração de tinta natural a partir de folhas permitiu observar as cores liberadas pela planta e experimentar novas formas de expressão. “Quando a criança percebe que uma folha pode virar tinta, ou que uma semente pode se transformar em planta, ela começa a compreender que a natureza tem um tempo de espera, e que isso tem a ver com paciência. Que ela, mesmo sendo pequena, é potente para descobrir muitas outras coisas. Isso estimula o amor ao aprendizado para sempre”, conta Marianna Canova.

A presença de animais na escola também traz uma troca muito importante. No Peixinho, o aquário da entrada representa um ambiente estético e de relaxamento para a chegada das crianças, além de ensinar sobre os cuidados com os seres vivos — são elas que fazem a alimentação dos peixes. A caixa didática de abelhas sem ferrão também tem o objetivo de auxiliar as crianças a conhecer mais sobre a vida natural.

Investigar, levantar hipóteses e experimentar

Depois da definição das propostas pelas crianças, os projetos de investigação tomam rumos inesperados e incluem noções de matemática, tentativas de escrita, pesquisa por meio de entrevistas com funcionários da escola e muito mais. A “Turma dos Jardineiros” também iniciou uma tentativa curiosa: plantou um pequeno carrinho de brinquedo para observar se algo poderia germinar a partir dele. A experiência despertou novas perguntas e levou os alunos a investigar o que realmente cresce na terra.

Em outra atividade, as crianças plantaram sementes de feijão e uma bolinha de gude para observar o que aconteceria com cada elemento. Já outra turma desenvolve um estudo sobre o girassol, acompanhando seu crescimento e características. “Nosso objetivo não é dar respostas prontas, mas incentivar a criança a formular perguntas, testar hipóteses e observar os resultados”, explica Marianna.

A natureza como laboratório sensorial

A proposta pedagógica também busca ampliar o repertório sensorial das crianças. Terra, folhas, sementes e gravetos tornam-se materiais de exploração e aprendizagem. A escola adota a Abordagem Reggio Emilia, com técnicas que valorizam elementos não estruturados que estimulem a imaginação, além de outras possibilidades.

Segundo a pedagoga Marianna Canova, o contato com diferentes texturas, cores e cheiros integra sensações e percepções. “Quando a criança mexe na terra ou observa um inseto, está construindo conhecimento com o corpo inteiro”, afirma.

A escola também prepara um novo espaço verde para ampliar o contato das crianças, com horta, pomar, áreas de exploração com pedras, folhas e argila e mais caixas de abelha sem ferrão, que permitem observar os ciclos da natureza e a atividade incessante dos seres vivos. A inauguração será dia 11 de abril, no evento “Escola ConVida”. Outra novidade é a quase totalidade de brinquedos feitos de madeira e outros elementos naturais, com poucas opções de plástico.

Para famílias que vivem em espaços menores, Marianna sugere atividades simples, como plantar sementes em vasos ou observar pequenos seres vivos, como o crescimento de plantas ou uma lagarta se transformando em borboleta. “O importante é despertar a curiosidade. A natureza é uma grande professora quando damos tempo para a criança explorá-la.”

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