terça-feira, 10 março, 2026
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Aprender dois idiomas fortalece o desenvolvimento infantil

Assessoria – O debate sobre ensino bilíngue já não se restringe ao domínio de outro idioma. Hoje, escolas e pesquisadores discutem os impactos desse modelo no desenvolvimento integral da criança. Estudos na área da educação indicam que o contato frequente com duas línguas, desde os primeiros anos de vida, estimula a memória, atenção e capacidade de adaptação a diferentes situações.

Na prática, o ensino bilíngue não se resume a aulas extras de inglês ou espanhol. A proposta envolve trabalhar conteúdos curriculares em dois idiomas, de forma planejada e integrada à rotina escolar. Esse formato expõe a criança a diferentes estruturas linguísticas no dia a dia, o que favorece a construção natural do conhecimento.

Entre os 2 e 4 anos, o cérebro apresenta alta plasticidade. Nessa etapa, a criança assimila sons, entonações e padrões gramaticais com maior facilidade. Siona Boiko, diretora e fundadora da rede de Escolas Santo Anjo, explica que iniciar o bilinguismo na infância amplia o horizonte de aprendizagem. “O contato com uma segunda língua nessa fase contribui para o desenvolvimento cognitivo e também para a formação cultural da criança”, afirma.

Mas para isso a aprendizagem deve ocorrer de forma contextualizada, o que exige atenção da família ao escolher a escola em que os filhos serão treinados em uma segunda língua. “Quando a segunda língua faz parte da rotina, das brincadeiras e das interações, a criança incorpora o idioma com naturalidade”, explica.

No Colégio Santo Anjo, em Curitiba, a proposta ganhou uma unidade específica para o ensino bilíngue a partir do berçário, em parceria com a Cambridge University Press & Assessment. Cerca de 30% do conteúdo pedagógico é ministrado em inglês. “Essa imersão começa no período mais sensível da infância para aquisição de outra língua. Trabalhamos com atividades lúdicas e situações reais de comunicação”, detalha Siona.

Impactos no desempenho escolar

Pesquisas apontam que crianças bilíngues exercitam com mais frequência as chamadas funções executivas do cérebro. Essas funções estão relacionadas à organização de tarefas, controle da atenção e flexibilidade para alternar entre atividades.

Na sala de aula, isso pode se refletir em maior capacidade de concentração e melhor desempenho em atividades que exigem raciocínio mais elaborado. Outro ponto observado é o aprimoramento da comunicação. Ao lidar com dois sistemas linguísticos, a criança tende a compreender melhor as regras da própria língua materna e a se expressar com mais clareza.

Sheila Fernandes, mãe da aluna Helena, conta que escolheu o ensino bilíngue porque acredita que o inglês é fundamental. “Quando observamos países de primeiro mundo, o idioma já faz parte da vida das pessoas como uma segunda língua natural. Era exatamente isso que eu queria para ela: que o inglês surgisse de forma espontânea, desde pequena, justamente na fase em que a criança está em desenvolvimento”.

Com quatro anos, a pequena Helena já está no segundo ano aprendendo inglês. “A diferença no desenvolvimento já é muito clara. Eu costumo colocar desenhos em inglês em casa e percebo que ela interage com o conteúdo de maneira totalmente natural. Ela não precisa parar para pensar ou tentar traduzir. Simplesmente entende o que está acontecendo. Como ainda não sabe ler, mesmo que houvesse legenda, isso não faria diferença. O entendimento vem realmente da familiaridade com o idioma”, afirma.

Já Rony Castanho, pai de Bella, de 3 anos de idade, escolheu o ensino bilíngue com vistas ao futuro da filha. “Idiomas faz diferença no mercado de trabalho e até mesmo uma viagem internacional e intercâmbio. Sem contar o desenvolvimento de memorização desde criança”, relata.

Ele percebe que a filha vem se destacando e mostrando interesse em aprender cada vez mais. “Ela canta algumas músicas em inglês, olha uns animais e já fala em inglês, cores e números”, aponta.

Contato com outras culturas

O aprendizado de um novo idioma também amplia referências culturais. Ao conhecer expressões, histórias e costumes de outros países, a criança desenvolve maior sensibilidade para diferenças culturais.

“Aprender outra língua é também entrar em contato com diferentes formas de pensar e viver”, diz Siona. Para ela, esse processo contribui para a formação de alunos mais abertos ao diálogo e ao respeito às diversidades.

Educadores relatam ainda que o bilinguismo pode fortalecer a autonomia. Ao perceber que consegue se comunicar em mais de um idioma, a criança ganha confiança para participar de novas situações, tanto no ambiente escolar quanto fora dele.

Formação que acompanha o crescimento

No Colégio Santo Anjo – que mantém a maior estrutura de pré-escola do Paraná, com cerca de mil alunos do berçário ao primeiro ano do ensino fundamental -, a  expansão para uma unidade dedicada e exclusiva ao ensino bilíngue, tem como objetivo buscar uma formação integral, com foco em pensamento crítico, consciência social e desenvolvimento de múltiplas competências.

Uma nova unidade recém-inaugurada reflete a demanda crescente das famílias por uma formação que dialogue com um cenário cada vez mais conectado. “Quando a proposta pedagógica é consistente e adequada à faixa etária, o contato precoce com duas línguas pode contribuir de forma consistente para o percurso acadêmico e pessoal da criança”, conclui.

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