
Em 1989, em plena campanha presidencial, militantes petistas ofenderam a atriz Marília Pera em frente a um teatro na Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo. Era o primeiro capítulo do “Nós x Eles”, uma novela real de ofensa, truculência e ignorância. A atriz havia declarado o voto em Fernando Collor de Mello. Foi o suficiente para que inscrevesse seu nome no índex de ódio da esquerda lulista.
DE NOVO, A MESMA HISTÓRIA
Quase três décadas depois, a história se repete. Miriam Leitão, jornalista da Globo, foi hostilizada por uma turba de baderneiros, dentro de um voo da Avianca, quando viajava de Brasília para o Rio. Por ser empregada da Globo e opinar contra o petismo em suas colunas, tacharam-na de “terrorista” e a ofenderam com palavrões. É o espetáculo da barbárie.
MORTAL ENTRE FANÁTICOS
O comandante do voo a convidou para ocupar os bancos da frente. Ela recusou. Não viajava na classe Executiva, estava entre os mortais, cercada do pior que o fanatismo político pode produzir.
VOZ DO IDIOTA
Na terça-feira (13), dez dias depois do ocorrido, Miriam decidiu relatar o ocorrido. Provavelmente não queria reviver o episódio e temia ouvir a “voz do idiota” na internet. Mas acabou por contar. Pois seus temores se confirmaram.
AÇÃO E REAÇÃO?
A avalanche de estupidez e ignorância tomou conta de blogs e redes sociais. Ouviu-se bobagem até de gente balizada como o colunista esportivo Juca Kfouri que rapidamente puxou o gatilho para lembrar o ataque a Chico Buarque de Hollanda. É o típico relativismo ou “eu fiz, você fez” que não leva a nada. Ou leva sim. Leva a algum alívio àqueles que, levianamente, regozijam-se com o ataque. Caso do PT, cuja direção nacional emitiu nota de repúdio, mas lembrou que a ação corresponde a uma reação aos ataques da Globo contra o partido. Relativismo, já se viu.
DESANUVIAR É PRECISO
Das poucas manifestações nas redes sociais em nome da razão, havia uma, da fotógrafa Annelize Tozzetto, que ainda que militante de esquerda e defensora das bandeiras que estão por aí, lembrou que o “inimigo” é a corporação não o funcionário. “Desanuviem, por favor”, pregou ela. É isso ou a tempestade.
