Os 73 anos de vida de Margarita Sansone foram comemorados – conforme farto noticiário da imprensa – com seis dias de descanso dela e Rafael, em Buenos Aires, presente que lhe fez o prefeito Greca de Macedo, 61.
Enquanto isso, a administração municipal continuou a arder, com a justa revolta do funcionalismo municipal reclamando do chamado “Ajuste fiscal”, que cortou enormes direitos dos servidores da cidade.
Isso sem contar que a Saúde Pública passa por nova sarça ardente, com a saída de João Carlos Baracho, que deixou a Secretaria de Saúde alegando motivos pessoais (saúde abalada).
Arde também a administração da cidade com a alta tarifa do transporte urbano, e com o abandono das ruas e de certos serviços essenciais, isso sem contar que questões outras, sobre o destino da área tecnológica que comanda o município, ser agora “um assunto morto”. Não se fala mais em levar adiante a questão do ICI, conforme tentou o ex-prefeito Fruet.
GIOVANNI
Um dos mais fieis escudeiros de Greca de Macedo, amigo, padrinho de casamento dele com Margarita, o advogado Giovanni Gionédis é em quem muitos observadores identificam “o conselheiro forte” e indispensável do prefeito. Isso sem que Gionédis tenha cargo público.
A amizade dos dois é antiga: remonta ao Colégio Medianeira e, depois, ao mandato primeiro de Greca de Macedo (anos 80) como deputado estadual, quando Giovanni e sua mulher, Louse Gionédis, formavam na primeira linha de assessores do hoje veterano prefeito.
Mas apesar de notoriamente competente articulador, Giovanni – que se movimenta com muita familiaridade nos órgãos públicos municipais fazendo sugestões -, não tem conseguido melhorar os baixos níveis de aceitação do governo de Greca de Macedo.
HIPERTENSÃO
Voltando a Baracho: ele entrou em crise de hipertensão, em parte diante da impossibilidade que deve ter constatado de cumprir o caudal de promessas feitas por Greca de Macedo na campanha eleitoral, para a área.
O PESO DE MÁRCIA
“Outro fator de desgaste de Baracho foi o cerco e a “insubordinação” da superintendente da SMS, a enfermeira Márcia Huçulak”, garante à coluna uma fonte do próprio gabinete do secretário.
VIVENDO ÀS TURRAS
Márcia e Baracho viviam as turras – segundo a mesma fonte, que pede absoluto sigilo de seu nome, por motivos óbvios. A superintendente, notoriamente grande conhecedora de leis e mecanismos que regem acordos e convênios, e toda a papelada que faz a burocracia da SMS andar, é preposta do ex-prefeito, e médico e deputado federal Luciano Ducci (PSB). “Ela encarna olhos e ouvidos de Ducci”, diz uma jornalista que conhece muito bem os dois.
CAMINHO DA ROÇA
“Não acredito que a Márcia tenha recebido orientação de Ducci para atanazar a vida de Baracho. Acontece que o preparo dela em face do dia a dia daquela secretaria, comparado com o de Baracho, é muito diferenciado”, observa à coluna um médico, 72, conhecido por sua liderança na classe médica em Curitiba e por sua atuação em causas sociais.
ALIANÇA COM BARROS
Para o mesmo médico veterano, amplamente reconhecido por seu comportamento ético e formação protestante tradicional, “a aliança com o ministro Ricardo Barros, da Saúde, não teria até agora se consumado conforme o esperado pela Prefeitura de Curitiba.”
No entanto, o profissional admite que “isso deve mudar, na medida em que se vai aproximando o fim do mandato de Beto Richa e a possível assunção de Cida Borghetti ao governo. Aí sim, as coisas deverão resplandecer na área da Saúde…”, diz, ao mesmo tempo em que faz uma outra observação:
OCTAPHARMA
– No momento, Ricardo Barros está envolvido com seu grande projeto, que pode até ser bom para o Brasil, a montagem de uma grande indústria de hemoderivados, basicamente em associação com órgãos como a Hemobrás, o Butantã e o Tecpar. Nasceria em Maringá.
Mas o ministro já começa a ser questionado em sua proposta: a multinacional suíça Octapharma, que entraria com 500 milhões no projeto, já está enrolada no TCU, acusada de irregularidades em outras iniciativas que desenvolveu no Brasil.
“LA CUMPARSITA”
Outrora espírito alegre, hoje um sessentão que exibe muitas amarguras e ressentimentos, o prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo, diz fonte de seu gabinete, trouxe “uma enorme coleção” de LPs (bolachões”), com tangos (La Cumparsita) e preciosidades de Carlito Gardel.
Poucos amigos – os que não o abandonaram nos dias terríveis do ‘escanteio’ sofridos nos últimos 20 anos -, poderão ouvir com ele as preciosidades portenhas. Dentre eles, pelo menos dois amigos que sempre ficaram com Greca de Macedo, os padres Reginaldo Manzotti e Kleina, além, é claro, do arquiteto Rodolpho Doubek Filho e o cirurgião Marlus Moro e sua mulher, Martha.
