segunda-feira, 21 setembro, 2026
HomeMercadoSP recebe maior encontro latino de produtores de vermute

SP recebe maior encontro latino de produtores de vermute

AssessoriaSão Paulo recebeu a terceira edição de Sur Vermut, encontro de produtores de vermute da América Latina, com 13 marcas de Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Para quem ama vermute puro ou em coquetéis, é a chance de provar o que se faz de melhor no continente, conhecendo estilos diversos e conversando com quem produz.

O Paraná foi representado pela Gargalo, em sua terceira participação, o único vermute paranaense por lá. O Gargalo é um vermute rosado, floral, frutado e especiado, feito com vinho branco e 15 botânicos infusionados em cachaça, com cataia, catuaba, guaco, erva-mate tostada e um final picante de pimenta-da-jamaica.

As duas primeiras edições de Sur Vermut – Encuentro Vermutero Latinoamericano – aconteceram em Montevidéu, em 2024 e 2025, produzidas por Vermut Flores. Agora é a vez de São Paulo e do Brasil, onde cresce o interesse por essa bebida à base de vinho e botânicos, sobretudo em razão do aquecido mercado de alta coquetelaria em bares, restaurantes e casas noturnas do país.

Mais do que uma feira de bebidas, o Sur Vermut propõe uma experiência em torno da cultura do aperitivo, prática comum em países latinos como Argentina, Espanha e Uruguai e Itália. Com chance de provar todos os produtos expostos, o público poderá notar que se trata de uma bebida com riqueza sensorial suficiente para ser apreciada pura. Esse é um dos intuitos da organização de Sur Vermut.

“Queremos convidar as pessoas a redescobrirem o hábito do vermute como aperitivo, bebê-lo com gelo numa reunião descontraída entre amigos, num churrasco, numa happy hour. A ideia é rejuvenescer o imaginário de consumo do vermute, sobretudo com a chegada de novas marcas”, diz Renato Chiapetta, criador da San Basile Destilaria, co-produtora de Sur Vermut no Brasil.

Workshops e trocas de experiências

Para quem busca se aprofundar nos mistérios da produção de vermutes, foram realizados dois workshops ministrados por especialistas. O primeiro, com participação de Seba Despis, do vermute brasileiro La Finca, e da sommelière e barista Mari Mesquita. O segundo, liderado por Juan Stravatto, El Guru del Vermut, sócio da marca mexicana Stravatto.

Além do público interessado nas degustações e palestras, Sur Vermut agrega profissionais do setor de bebidas e gastronomia como bartenders, mixologistas, sommeliers, importadores, chefs, imprensa especializada, influenciadores e demais players do mercado.

Os resultados dos dois primeiros encontros foram bastante positivos, com a adesão de marcas de vários países ao evento e repercussão internacional, trocas importantes de saberes entre produtores, comunicação com o mercado e com o consumidor final. A vinda de Sur Vermut para o Brasil em 2026 amplia perspectivas.

“Conseguimos colocar novos estilos e origens de vermute no mapa da imprensa internacional. Também aprendemos, juntos, novos aspectos técnicos e sobre exportação e marketing, com base em experiências coletivas. Várias marcas participantes conseguiram mostrar, em seus próprios mercados e além de suas fronteiras, que não são produzindo vermute. E que o que está acontecendo é algo sério”, diz Alvaro Aniano, sócio do Vermut Flores, marca uruguaia que produz a edição nacional de Sur Vermut em parceria com a brasileira San Basile Destilaria.

América Latina: técnica ancestral e sabores locais

O que diferencia a diversa cultura vermuteira na América Latina da centenária tradição europeia é a reinterpretação de diferentes estilos (tinto, dry, bianco, rosé, quinado) com ingredientes locais. Ervas, flores, cascas, especiarias, frutas e outros botânicos naturais das regiões em que são elaborados os vermutes entram na alquimia de receitas surpreendentes, que afirmam a identidade de cada país e de cada produtor.

Além do uso de botânicos locais, vários exemplos de vermutes latino-americanos mostram especial preocupação com o vinho usado como base. Não é mais um vinho genérico, que terá suas características mascaradas pela adição de botânicos. Variedades simbólicas como o Tannat e o Albariño, no Uruguai, o Malbec e o Torrontés, na Argentina, colaboram com a riqueza de algumas receitas, com sua acidez natural e notas de florais e de frutas no aroma e no paladar.

O que é o vermute?

O vermute é um vinho fortificado macerado com botânicos, sobretudo a losna. Hipócrates, 400 anos antes de Cristo, já infusionava vinho com losna e menta e receitava a mistura para curar males estomacais. Na Idade Média, o elixir tornou-se popular no Condado de Saboia, que compreendia o noroeste da Itália e o sudeste da França. Vendido por boticários, virou moda, e sua riqueza de sabores e aromas era constantemente incrementada com a chegada de ervas e especiarias trazidas por navegadores do oriente e da África.

O vermute estabeleceu-se como tradição nessa região, tendo como capitais a cidade italiana de Turim e a cidade francesa de Chambéry. Embora ainda seja o centro da produção mundial, com marcas famosas como Carpano, Cinzano, Martini e Dolin, a cultura do vermute ganhou a Europa e os Estados Unidos, pela via da coquetelaria, e foi trazida para a América do Sul por imigrantes italianos na virada dos século 19 e 20.

Nos anos 2000, com o novo boom mundial da coquetelaria, o vermute experimentou um ressurgimento, com a criação de marcas locais em todos os continentes, movimento no qual a América Latina tem participação fundamental. Sur Vermut representa a oportunidade de conhecer o pulsante panorama latino.

Para constatar a importância do vermute até os dias de hoje, basta notar que alguns clássicos da coquetelaria não existiriam sem sua presença. Dry Martini, Negroni, Manhattan, Martinez e o nosso Rabo de Galo prescindem do vinho macerado com botânicos para sua execução.

Leia Também

Leia Também