Só um polígrafo poderia detectar o quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse de verdade ou mentira no interrogatório a que foi submetido na quarta-feira (10), em Curitiba. A impaciência com que mexia em papéis à sua frente, o desconforto com a cadeira, a quantidade de vezes em que cofiou a barba rala poderia gerar suspeitas a um especialista e fazer o ponteiro do detector de mentiras oscilar.
O SENHOR TEM MULHER?
Lula negou ser proprietário do tríplex no Guarujá, mas admitiu que sua mulher, falecida em fevereiro deste ano, tinha interesse em adquirir a propriedade para depois negociá-la. Indagado se sabia das visitas que Marisa Letícia fizera ao apartamento ou das reformas que mandara promover, ele disse desconhecê-las. “Não sei se o senhor tem mulher, mas nem sempre ela pergunta para a gente o que vai fazer”.
EU NÃO SABIA
Usando de parábolas, negou que soubesse que os cinco diretores nomeados por ele na Petrobras eram acusados de roubar a companhia. “Doutor, o filho quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: ‘Pai, tirei nota vermelha'”.
Mas admitiu a conversa com Renato Duque no aeroporto de Congonhas.
DIFÍCIL DE ACREDITAR
Foi mais evasivo ainda quando tratou de isentar-se de qualquer ligação com o PT durante o governo. Não, ele não participava da direção. Não, ele não tinha qualquer influência sobre a sigla. Não, ele nem sequer tinha conhecimento do que ocorria no partido no período de 2003 a 2010, quando exerceu a presidência da República.
