O curitibano Clovis Arns Cunha explica como e em que condições a medicação mostra-se eficiente.
Clóvis Arns Cunha
Os novos grandes “astros” da mídia são os infectologistas, em face da pandemia que colocou o mundo inteiro de pernas pro ar. E mais: desde ontem, 16, quando o grupo de cientistas de Oxford, Inglaterra, anunciou que o remédio dexametasona pode ser muito eficiente para pacientes do coronavírus dependentes de ventilação mecânica. Apenas, pois, para os que estejam internados em estado mais grave. Nunca deve ser tomado como “preventivo do coronavírus”.
Um desses novos porta-vozes da Ciência, e com grande acústica nacional, é o professor da UFPR e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns Cunha. Dele é o comunicado oficial que segue, explicando, da melhor forma possível, a importância da descoberta:
PRIMEIRO TRATAMENTO
“Temos o primeiro tratamento farmacológico para covid que mostrou impacto em reduzir a mortalidade !
Finalmente temos uma “boa nova” !
Como temos insistido desde o início da pandemia de covid, os estudos clínicos RANDOMIZADOS e COM GRUPO CONTROLE é que devem nortear nossa conduta de “como tratar covid” ?
O estudo RECOVERY da Universidade de Oxford acaba de publicar os resultados preliminares de estudo randomizado com grupo controle que comparou dexametasona x grupo controle que demonstrou que a dose de 6mg de dexametasona por via oral ou por via endovenosa 1x/dia por 10 dias que demonstrou:
Remédio dexametasona
REDUZ MORTALIDADE
1) redução de mortalidade (em 28 dias) de 1/3 (33,3%) nos pacientes com covid em ventilação mecânica (VM);
2) redução de mortalidade (em 28 dias) de 1/5 (20%) nos pacientes necessitando de oxigênio e que não estão em VM;
3) não houve diferença nos pacientes que não necessitam de oxigênio. Conclusão prática: todo paciente com covid em ventilação mecânica e os que necessitam de oxigênio fora da UTI devem receber dexametasona via oral ou endovenosa 6mg 1x/dia por 10 dias.
Medicação barata e de acesso universal.
Dia histórico no tratamento da covid-19 ! Finalmente podemos compartilhar uma boa nova !
Dr Clóvis Arns da Cunha
Presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia)”