
(Da Folha de S.Paulo)
Os profissionais de saúde de Curitiba se depararam na manhã da quinta-feira (28) com uma fila de mais de uma hora para se vacinar contra a Covid-19 na capital.
Durante todo o dia, a movimentação foi intensa na entrada do pavilhão do Parque Barigui, apelidado de Pavilhão da Cura. Além do tempo de espera, alguns trabalhadores enfrentaram a chuva para se vacinar.
Segundo entidades que representam os profissionais, durante todo o dia, foram registradas aglomerações no local, em especial na área externa do pavilhão. A fila de trabalhadores chegou a dar voltas no parque.
MP CHAMOU ATENÇÃO
Ao contrário de outras capitais, que descentralizaram a aplicação das doses, este foi o único local escolhido pela prefeitura de Curitiba para a vacinação. Na terça-feira (26), os Ministérios Públicos Federal, Estadual e do Trabalho e as Defensorias Públicas da União e do Estado já haviam chamado a atenção para a possibilidade de formação de aglomerações no espaço.
Em uma recomendação feita ao estado, os órgãos fiscalizadores apontaram ainda que a centralização da vacinação em um único lugar pode dificultar o comparecimento do público-alvo da campanha, além de superlotar as linhas de transporte público que levam ao pavilhão, tornando menos célere o processo de imunização dos trabalhadores da saúde.
Segundo a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, o objetivo da centralização da campanha é “otimizar e melhorar o controle” sobre a vacinação, além de evitar o possível desvio de doses dos imunizantes.
Em Curitiba, a vacinação contra a Covid-19 começou no dia 20 de janeiro depois que a cidade recebeu 23.160 doses da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan. Até esta quinta-feira, 10.537 pessoas receberam o imunizante na capital.
Após o registro de aglomerações, a prefeitura informou que, devido ao grande movimento, fechou o acesso ao parque no final da tarde desta quinta e que, aqueles que tinham horários agendados para o período da noite, não devem se dirigir ao local.
Em nota, a prefeitura informou que, na quarta-feira (27), 50% dos profissionais que receberiam as vacinas não compareceram ao pavilhão e que, por isso, a Secretaria de Saúde fez contato com alguns hospitais da cidade para encaminhamento escalonado de equipes ao local.
A prefeitura informou ainda que está organizando “um processo” a ser adotado nos próximos dias e que cada hospital deve organizar os grupos de trabalhadores por horário. Os nomes devem constar em listagem anterior já enviada à secretaria de saúde. Não é permitida a busca direta pela vacinação.
Neste momento, o foco da campanha é em torno de profissionais da saúde e dos setores de alimentação, higiene e manutenção dos hospitais, segundo o órgão.
ADVERTÊNCIA FOI DADA
Quando a coluna registrou, antes dos preparativos para a vacinação, que a intenção do prefeito Rafael Valdomiro de centralizar todo o processo no pavilhão do Parque Barigui seria lance errado, não faltaram vozes que acharam, na advertência, “pura má vontade contra o alcaide”.
O tempo, em poucas horas, acabou provando que esta Coluna e um grande número de profissionais da saúde estávamos certos. Agora, o “escândalo” da aglomeração, do tumulto e da falta de previsão virou manchete em veículos nacionais de comunicação. Greca, no entanto, não parece dar o braço a torcer. Prefere seu “pátio de milagres”, ou “pavilhão da cura” instalado no Barigui, impondo inúmeros sacrifícios à população mais pobres que para lá tem de se deslocar. Simplesmente eliminou a possibilidade de a vacinação ter ocorrido nos espaços mais corretos, aqueles frequentados pelos contribuintes, as UPSAs e UBS.
Isso sem mencionar o mais grave, como apontou nesta sexta, 29, o jornalista Fabio Campana: o tumulto resultou também da falta de agendamento, seguido de um “portas abertas” que só ampliou o caos relatado pela Folha de São Paulo.
Tudo isso não chega a ser surpresa, pois Rafael Valdomiro Greca de Macedo está pouco se lixando com as dificuldades da população ou, mesmo, que o “Pavilhão da Cura” fosse gerar (como gerou) aglomerações que contrariam as recomendações dos infectologistas.
Para Greca, o que importará, sempre, será a existência de um palco em que possa se expor e a sua “obra”. Spotlight são a “vacina” vital de que se alimenta esse representante da velha política brasileira.
Só que desta vez a’ vanitas vanitatum ‘ – vaidade das vaidades – ampliou os riscos de morte de milhares de curitibanos. Um triste legado para uma biografia que vai ficando muito complicada.
